O ultrassom morfológico do segundo trimestre é uma das principais avaliações de imagem realizadas durante a gravidez. Seu objetivo vai muito além de observar o bebê ou confirmar seus batimentos cardíacos: o exame realiza uma análise sistemática da anatomia fetal, do crescimento e de outras estruturas importantes da gestação.
É nessa ultrassonografia que regiões como cérebro, face, coração, coluna, tórax, abdome, rins, bexiga e membros podem ser examinadas com mais detalhes.
Além disso, são avaliados aspectos como placenta, líquido amniótico, cordão umbilical e biometria fetal, de acordo com o protocolo utilizado. O protocolo brasileiro da Maternidade-Escola Assis Chateaubriand/EBSERH, atualizado em 2025 e disponibilizado pelo HU Brasil, contempla justamente uma avaliação anatômica sistemática dessas estruturas.
Por esse motivo, o morfológico é uma etapa importante do acompanhamento pré-natal mesmo quando os exames realizados anteriormente estavam normais.
No entanto, existe uma informação fundamental desde o início: um ultrassom morfológico normal não consegue garantir que o bebê não tenha nenhuma alteração. Algumas condições podem não ser visualizadas naquele momento ou podem aparecer somente posteriormente. A própria ISUOG (Sociedade Internacional de Ultrassonografia em Obstetrícia e Ginecologia) ressalta essa limitação.
Se você está acompanhando o pré-natal por etapas, veja também nosso guia completo sobre Exames do Segundo Trimestre da Gravidez.
Quando fazer o ultrassom morfológico do segundo trimestre?
Essa é provavelmente a dúvida mais frequente sobre o exame.
A recomendação pode variar um pouco conforme o protocolo utilizado.
A diretriz internacional da ISUOG informa que o ultrassom rotineiro do meio da gestação pode ser realizado aproximadamente entre 18 e 24 semanas.
O ACOG (American College of Obstetricians and Gynecologists), por sua vez, informa que o exame ultrassonográfico padrão durante a gravidez costuma ser realizado entre 18 e 22 semanas.
No Brasil, também são encontrados protocolos que concentram o exame entre aproximadamente 20 e 24 semanas.
Portanto, você poderá encontrar três faixas bastante comuns:
- 18 a 22 semanas;
- 18 a 24 semanas;
- 20 a 24 semanas.
Isso não significa necessariamente que uma recomendação esteja correta e as demais erradas. Existem diferenças entre protocolos, recursos disponíveis e características individuais da gestação.
Qual é a melhor semana para fazer o morfológico?
Na prática, o profissional responsável pelo pré-natal deve indicar a janela mais apropriada.
Entretanto, o período próximo de 20–22 semanas costuma oferecer condições favoráveis para uma avaliação anatômica detalhada, estando dentro das principais janelas recomendadas internacionalmente.
Além disso, a idade gestacional precisa estar corretamente estabelecida.
Caso tenha dúvida sobre quantas semanas de gravidez você está, utilize nossa Calculadora de Semanas de Gestação.
Para que serve o ultrassom morfológico?
O objetivo central é realizar uma avaliação anatômica sistemática do feto.
Segundo as diretrizes da ISUOG, o exame do meio da gestação tem como uma de suas principais finalidades avaliar a anatomia fetal e identificar alterações estruturais que possam ser reconhecidas por ultrassonografia.
Ao mesmo tempo, o exame fornece outras informações importantes sobre a gestação.
Podem ser avaliados:
- Anatomia fetal;
- Crescimento do bebê;
- Biometria fetal;
- Atividade cardíaca;
- Posição fetal;
- Placenta;
- Quantidade de líquido amniótico;
- Cordão umbilical;
- Outros achados conforme protocolo.
Portanto, o termo “morfológico” está relacionado principalmente à análise da forma e da estrutura dos órgãos e sistemas.
O que é avaliado no cérebro e na cabeça do bebê?
A avaliação começa por diferentes estruturas do crânio e do sistema nervoso central.
O examinador observa planos padronizados da cabeça fetal e procura analisar estruturas intracranianas de acordo com a idade gestacional.
Entre os aspectos que podem ser avaliados estão:
- Formato e integridade do crânio;
- Estruturas cerebrais visíveis;
- Ventrículos cerebrais;
- Linha média;
- Cerebelo;
- Região posterior do cérebro;
- Medidas da cabeça.
Além da anatomia, algumas dessas medidas entram na biometria fetal.
A análise do sistema nervoso central é particularmente importante porque algumas alterações estruturais podem ser identificadas durante essa fase da gestação.
O rosto do bebê também é avaliado?
Sim.
A face fetal faz parte da avaliação morfológica.
Dependendo da posição do bebê e da qualidade das imagens, podem ser examinados elementos como:
- Perfil;
- Órbitas;
- Nariz;
- Lábios;
- Mandíbula;
- Outras estruturas faciais.
Porém, a posição fetal pode impedir que todas as regiões sejam visualizadas adequadamente na primeira tentativa.
O coração é examinado no ultrassom morfológico?
Sim.
O coração é uma das estruturas mais importantes da avaliação.
O protocolo brasileiro da EBSERH inclui análise das câmaras cardíacas e das vias de entrada e saída, além de observação do ritmo, lateralidade e proporcionalidade.
Isso ajuda no rastreamento de diversas alterações cardíacas estruturais.
Contudo, existe uma diferença importante entre avaliação cardíaca no morfológico e ecocardiograma fetal.
Ultrassom morfológico e ecocardiograma fetal são a mesma coisa?
Não.
No morfológico, o coração faz parte de uma avaliação anatômica global do bebê.
Já o ecocardiograma fetal é um exame direcionado especificamente para uma análise mais detalhada da anatomia e da função cardíaca fetal.
Ele pode ser indicado quando existem situações como:
- Suspeita de alteração cardíaca no morfológico;
- Determinadas condições maternas;
- Algumas alterações genéticas;
- Histórico familiar relevante;
- Outros fatores de risco.
Portanto, ter realizado um morfológico não significa automaticamente que toda gestante precise também realizar ecocardiograma fetal.
A coluna vertebral é avaliada?
Sim.
A coluna fetal é examinada em diferentes planos para avaliar sua formação.
O protocolo da EBSERH contempla vértebras, arcos vertebrais e integridade das estruturas relacionadas.
Isso faz parte do rastreamento de alterações estruturais da coluna e de outras condições associadas.
O morfológico avalia os rins e a bexiga?
Sim.
A avaliação do sistema urinário fetal pode incluir:
- Rins;
- Pelves renais;
- Bexiga;
- Características estruturais visíveis.
O protocolo brasileiro também prevê a análise desses elementos e a pesquisa de alterações do trato urinário.
Nesse ponto, é importante entender que o funcionamento fetal e a aparência ultrassonográfica das estruturas são avaliados dentro do contexto da idade gestacional.
Braços, pernas, mãos e pés são examinados?
Os membros também fazem parte da análise.
O ultrassom pode observar:
- Braços;
- Antebraços;
- Mãos;
- Coxas;
- Pernas;
- Pés;
- Ossos longos;
- Simetria dos membros.
Além disso, o comprimento do fêmur é uma das medidas clássicas da biometria fetal.
A ISUOG inclui o comprimento do fêmur entre os parâmetros utilizados rotineiramente para avaliação do tamanho fetal.
O que é biometria fetal?
A biometria fetal é o conjunto de medidas obtidas por ultrassonografia para avaliar o tamanho e o crescimento do bebê.
Entre as medidas utilizadas estão:
- Diâmetro biparietal;
- Circunferência cefálica;
- Circunferência abdominal;
- Comprimento do fêmur.
Essas medidas são realizadas de maneira padronizada e comparadas com referências adequadas para a idade gestacional.
Contudo, uma diferença pequena entre determinada medida e uma média populacional não deve ser interpretada isoladamente como doença.
O conjunto dos dados, a idade gestacional e a evolução do crescimento são mais importantes.
O peso do bebê é medido diretamente?
Não.
O peso fetal é estimado, e não pesado diretamente durante o ultrassom.
O aparelho utiliza medidas biométricas para calcular uma estimativa.
Portanto, quando um laudo informa “peso fetal estimado”, é importante prestar atenção justamente à palavra estimado.
Existe uma margem de variação inerente ao método.
Do meu ponto de vista biomédico, esse é um bom exemplo de por que não gosto de interpretar um número isolado fora do método que o produziu: todo resultado precisa ser compreendido levando em conta como foi obtido e quais são suas limitações.
A placenta é avaliada no morfológico?
Sim.
A placenta é outra estrutura importante.
Podem ser avaliados aspectos como:
- Localização;
- Relação com determinadas estruturas do Útero;
- Aparência;
- Outros achados relevantes.
O protocolo brasileiro da EBSERH inclui estudo da placenta e de sua relação com o orifício cervical interno.
Se houver achado que mereça acompanhamento, novas ultrassonografias podem ser indicadas posteriormente.
E o líquido amniótico?
Também é avaliado.
Alterações importantes da quantidade de líquido amniótico podem estar relacionadas a diferentes condições maternas ou fetais.
Entretanto, novamente, um achado deve ser interpretado juntamente com o restante do exame.
O cordão umbilical também aparece no exame?
Sim.
O cordão umbilical pode ser avaliado em relação a características como seus vasos e sua inserção, conforme o protocolo utilizado.
A avaliação não se resume a simplesmente “ver o cordão”.
Ela faz parte da análise da relação entre feto, placenta e circulação da gestação.
É possível descobrir o sexo do bebê no morfológico?
Em muitos casos, a genitália fetal pode ser visualizada nessa fase.
Porém, determinar o sexo não é o objetivo principal do ultrassom morfológico.
A possibilidade de visualização depende principalmente de fatores como posição fetal e condições técnicas do exame.
O protocolo da EBSERH inclui a avaliação da genitália entre as estruturas anatômicas examinadas.
Portanto, mesmo que esse seja um momento esperado por muitas famílias, o foco técnico do morfológico continua sendo a avaliação da anatomia fetal.
O morfológico consegue detectar síndrome de Down?
Essa questão merece bastante cuidado.
O ultrassom morfológico pode identificar determinados achados ou alterações estruturais que podem estar associados a condições cromossômicas, mas ele não diagnostica nem exclui sozinho a síndrome de Down.
Isso é muito diferente de dizer que um ultrassom normal “descarta” uma alteração genética.
Os testes de rastreamento cromossômico, como o NIPT/cfDNA, e os exames diagnósticos invasivos respondem a perguntas diferentes.
Inclusive, o artigo do Primeiro Trimestre da Gravidez explica melhor como o NIPT entra no rastreamento pré-natal.
O morfológico substitui o NIPT?
Não.
São exames diferentes.
O NIPT analisa DNA livre circulante no sangue materno para estimar risco de determinadas alterações cromossômicas.
O ultrassom morfológico analisa principalmente a anatomia fetal por imagem.
Consequentemente, é possível ter:
- NIPT de baixo risco e alteração estrutural no ultrassom;
- ultrassom aparentemente normal e NIPT de alto risco.
Do ponto de vista biomédico, considero essa distinção essencial: um exame molecular e um exame de imagem não são concorrentes simplesmente porque ambos fazem parte do rastreamento pré-natal; eles avaliam aspectos diferentes.
Morfológico e translucência nucal são a mesma coisa?
Não.
A translucência nucal é avaliada durante uma janela específica do primeiro trimestre, geralmente entre aproximadamente 11 e 14 semanas.
Já o morfológico do segundo trimestre é realizado mais tarde e permite uma avaliação anatômica muito mais ampla do feto.
O Saúde Diagnóstica possui também uma Calculadora de Translucência Nucal, voltada à avaliação dessa etapa inicial da gestação.
Portanto:
Translucência nucal → primeiro trimestre
Morfológico do segundo trimestre → avaliação anatômica fetal mais detalhada na metade da gestação
Um morfológico normal garante que está tudo bem?
Não é correto oferecer essa garantia.
Mesmo quando o exame é realizado adequadamente e não mostra alterações, algumas condições podem não ser identificadas pela ultrassonografia, e outras podem se tornar visíveis apenas mais tarde.
A ISUOG afirma explicitamente que algumas malformações podem passar despercebidas ou aparecer apenas posteriormente, mesmo com bons equipamentos e profissionais experientes.
Por isso, a interpretação mais apropriada é:
O exame não identificou alterações dentro das estruturas e condições que puderam ser avaliadas naquele momento.
Isso é muito diferente de afirmar que nenhuma alteração existe ou poderá surgir.
O que pode dificultar o ultrassom morfológico?
A qualidade das imagens pode ser influenciada por vários fatores, incluindo:
- Posição do bebê;
- Idade gestacional;
- Características maternas;
- Quantidade de líquido amniótico;
- Condições técnicas;
- Equipamento;
- Possibilidade de obter os planos necessários.
Às vezes, simplesmente não é possível visualizar adequadamente todas as estruturas durante uma única sessão.
Precisa repetir o morfológico se não der para ver tudo?
Pode ser necessário.
A ISUOG recomenda que, quando o exame não puder ser completado conforme o protocolo adotado, ele seja repetido para completar a avaliação ou que a gestante seja encaminhada para outro examinador quando apropriado.
Portanto, ser chamada para complementar o exame não significa automaticamente que foi encontrada uma alteração.
Em algumas situações, o bebê apenas estava em uma posição que não permitia obter imagens adequadas de determinada estrutura.
Se aparecer uma alteração, o que acontece?
O próximo passo depende do achado.
Pode ser necessária:
- Repetição da ultrassonografia;
- Ultrassom especializado em medicina fetal;
- Ecocardiograma fetal;
- Avaliação genética;
- Outros exames de imagem;
- Testes diagnósticos específicos;
- Acompanhamento mais frequente.
A ISUOG recomenda que serviços que realizam o rastreamento tenham mecanismos adequados de encaminhamento quando uma alteração é suspeita ou identificada.
Assim, um achado no morfológico não deve ser interpretado fora do contexto nem como diagnóstico definitivo antes da investigação apropriada.
Ultrassom morfológico precisa de Doppler?
Não necessariamente.
O Doppler é uma técnica ultrassonográfica utilizada para estudar determinados aspectos do fluxo sanguíneo.
Pode ser extremamente útil quando existe indicação, mas o simples fato de realizar o morfológico não significa que toda gestante precise obrigatoriamente realizar todas as modalidades de Doppler.
A necessidade depende do protocolo e das condições maternas e fetais.
Morfológico 3D ou 4D é melhor?
Não necessariamente.
Imagens 3D e 4D podem contribuir em algumas avaliações específicas, mas não substituem a ultrassonografia bidimensional padrão realizada de forma adequada.
O principal fator não é simplesmente produzir uma imagem tridimensional mais bonita, e sim obter os planos diagnósticos necessários para avaliar as estruturas fetais.
A própria ISUOG também enfatiza o uso clínico apropriado da ultrassonografia e recomenda que a exposição fetal seja minimizada seguindo o princípio ALARA — As Low As Reasonably Achievable.
Ultrassom durante a gravidez é seguro?
A ultrassonografia pré-natal é considerada segura quando utilizada de maneira apropriada na prática clínica.
Entretanto, isso não significa que deva ser utilizada indiscriminadamente ou somente para entretenimento.
A ISUOG recomenda justamente a aplicação do princípio ALARA, utilizando a menor exposição necessária para obter as informações diagnósticas desejadas.
Precisa de jejum para fazer o morfológico?
Em geral, não é necessário jejum para um ultrassom morfológico obstétrico convencional.
Entretanto, as orientações podem variar conforme o serviço, o tipo de exame associado e particularidades da gestante.
Por isso, siga as instruções fornecidas pelo local onde o exame será realizado.
Precisa estar com a bexiga cheia?
Também depende do serviço, da idade gestacional e da técnica necessária.
No segundo trimestre, muitas avaliações conseguem ser realizadas sem o mesmo grau de enchimento vesical que pode ser solicitado em ultrassonografias mais precoces.
Ainda assim, a orientação do serviço deve prevalecer.
Quanto tempo dura o ultrassom morfológico?
Não existe um tempo fixo.
A duração depende de:
- Posição fetal;
- Quantidade de estruturas que precisam ser avaliadas;
- Qualidade das imagens;
- Necessidade de repetir planos;
- Características da gestação;
- Suspeita de alguma alteração.
Por isso, um exame mais demorado não significa necessariamente que algo esteja errado.
Posso fazer o morfológico depois de 24 semanas?
Se a janela habitual foi perdida, não significa que a gestante simplesmente deva abandonar a avaliação.
Porém, o exame deve ser discutido com o profissional do pré-natal.
Determinadas estruturas ainda podem ser examinadas mais tarde, mas existem razões técnicas e assistenciais para que o rastreamento anatômico rotineiro seja programado dentro da janela recomendada.
Por isso, idealmente, o agendamento deve ser organizado com antecedência.
Checklist: o que o ultrassom morfológico avalia?
De maneira resumida, a avaliação pode incluir:
Feto
- Cabeça e cérebro;
- Face;
- Pescoço;
- Tórax;
- Coração;
- Abdome;
- Estômago;
- Rins;
- Bexiga;
- Coluna;
- Braços e pernas;
- Extremidades;
- Genitália quando visualizável.
Crescimento
- Diâmetro biparietal;
- Circunferência cefálica;
- Circunferência abdominal;
- Comprimento do fêmur;
- Estimativa do tamanho/peso fetal.
Gestação
- Placenta;
- Líquido amniótico;
- Cordão umbilical;
- Outros elementos conforme protocolo.
O protocolo brasileiro da EBSERH apresenta uma avaliação estruturada dessas regiões e reforça o caráter sistemático do exame.
Morfológico do primeiro e do segundo trimestre: qual a diferença?
Os dois exames são importantes, porém realizados em momentos diferentes.
Primeiro trimestre
O exame realizado entre aproximadamente 11 e 14 semanas pode avaliar:
- Ciabilidade;
- Idade gestacional;
- Número de fetos;
- Anatomia inicial;
- Translucência nucal;
- Outros marcadores conforme protocolo.
Veja: Exames do Primeiro Trimestre da Gravidez.
Segundo trimestre
Com o bebê maior e as estruturas mais desenvolvidas, é possível realizar uma avaliação anatômica mais detalhada.
Por isso, um exame normal no primeiro trimestre não elimina a necessidade da avaliação morfológica do segundo trimestre. A ISUOG recomenda que o exame de meio da gestação continue sendo oferecido mesmo quando a ultrassonografia inicial foi normal.
O morfológico é o único exame importante entre 20 e 24 semanas?
Não.
O ultrassom é uma das grandes avaliações dessa fase, mas o pré-natal continua envolvendo exames maternos e laboratoriais.
Pouco depois, entre aproximadamente 24 e 28 semanas, por exemplo, ganha destaque o TOTG com 75 g para investigação do diabetes gestacional.
Por isso, recomendo acompanhar o cronograma completo em Exames do Segundo Trimestre da Gravidez: quais fazer e quando.
Conclusão
O ultrassom morfológico do segundo trimestre é uma das avaliações mais importantes da gravidez porque permite examinar sistematicamente a anatomia fetal em uma fase na qual várias estruturas já podem ser visualizadas com bastante detalhe.
Em geral, a avaliação ocorre aproximadamente entre 18 e 24 semanas, embora serviços e diretrizes possam utilizar janelas mais específicas, como 18–22 ou 20–24 semanas.
Durante o exame, podem ser avaliados cérebro, face, coração, coluna, tórax, abdome, rins, bexiga, membros, placenta, líquido amniótico, cordão umbilical e parâmetros de crescimento fetal.
Por outro lado, é fundamental compreender sua principal limitação: um resultado normal não consegue excluir todas as alterações fetais.
Algumas condições podem não ser detectáveis naquele momento e outras podem surgir posteriormente.
Na minha perspectiva técnico-biomédica, esse é o ponto que considero mais importante para interpretar exames de rastreamento corretamente: “nenhuma alteração identificada” não é sinônimo de “risco zero”. Cada método possui uma finalidade e um limite de detecção.
Para continuar acompanhando o pré-natal, siga nossa sequência:
Exames do Primeiro Trimestre → Exames do Segundo Trimestre → Ultrassom Morfológico do Segundo Trimestre → Exames do Pré-Natal Completo.
E, para acessar a estrutura completa de conteúdos, exames e ferramentas, visite a área de Gestação.
Dúvidas frequentes sobre o ultrassom morfológico do segundo trimestre
O ultrassom morfológico do segundo trimestre costuma ser realizado aproximadamente entre 18 e 24 semanas de gestação. Alguns protocolos utilizam uma janela mais específica, como 18 a 22 ou 20 a 24 semanas.
A melhor data deve considerar a idade gestacional, o acompanhamento obstétrico e o protocolo adotado pelo serviço.
Se tiver dúvida sobre a idade gestacional, utilize nossa Calculadora de Semanas de Gestação .
O exame permite realizar uma avaliação detalhada da anatomia fetal e pode identificar determinadas alterações estruturais.
Durante a avaliação, podem ser examinados cérebro, face, coração, coluna, tórax, abdome, estômago, rins, bexiga, braços, pernas e outras estruturas.
Além disso, são avaliados parâmetros de crescimento, placenta, líquido amniótico e cordão umbilical, conforme o protocolo utilizado.
Não. Um resultado normal é tranquilizador, mas o ultrassom morfológico não consegue excluir todas as possíveis alterações fetais.
Algumas condições podem não ser visíveis naquela idade gestacional, podem surgir posteriormente ou ser difíceis de identificar dependendo da posição fetal e das condições técnicas do exame.
Por isso, a interpretação correta é que não foram identificadas alterações nas estruturas que puderam ser avaliadas naquele momento.
O ultrassom morfológico não diagnostica nem exclui sozinho a síndrome de Down.
O exame pode identificar determinados achados ou alterações estruturais associados a condições cromossômicas, mas esses achados não são suficientes para estabelecer um diagnóstico.
Testes de rastreamento genético, como o NIPT, e exames diagnósticos específicos possuem finalidades diferentes da ultrassonografia.
Veja também: Exames do Primeiro Trimestre da Gravidez .
Em muitos casos, sim. Durante essa fase da gravidez, a genitália fetal pode ser visualizada se a posição do bebê e as condições do exame permitirem.
Entretanto, identificar o sexo não é o principal objetivo do ultrassom morfológico. O foco técnico do exame é avaliar a anatomia e o desenvolvimento fetal.
Em geral, não é necessário jejum para o ultrassom morfológico obstétrico convencional.
A necessidade de manter a bexiga cheia pode variar conforme a idade gestacional, o serviço e a técnica empregada. No segundo trimestre, muitas avaliações conseguem ser realizadas sem grande enchimento da bexiga.
Entretanto, siga sempre as orientações fornecidas pelo local onde o exame será realizado.
Pode ser necessário. Algumas vezes a posição do bebê ou outras condições impedem que todas as estruturas sejam avaliadas adequadamente durante uma única sessão.
Nesses casos, o profissional pode recomendar uma nova avaliação para completar as imagens que ficaram pendentes.
Ser chamado para complementar o exame não significa automaticamente que exista alguma alteração no bebê.
Não. No ultrassom morfológico, o coração é avaliado como parte do estudo anatômico global do bebê.
Já o ecocardiograma fetal é um exame direcionado especificamente para uma análise mais detalhada da anatomia e do funcionamento cardíaco fetal.
Ele pode ser solicitado quando há fatores de risco, histórico específico ou suspeita de alteração cardíaca durante a ultrassonografia.
Não necessariamente. O Doppler é uma técnica utilizada para avaliar determinados aspectos do fluxo sanguíneo materno e fetal.
Ele pode complementar a avaliação quando houver indicação, mas não significa que todo ultrassom morfológico precise obrigatoriamente incluir todos os estudos com Doppler.
A necessidade deve seguir o protocolo utilizado e as características da gestação.
Não necessariamente. As técnicas 3D e 4D podem acrescentar informações em situações específicas, mas não substituem uma avaliação bidimensional bem executada.
Para o rastreamento anatômico, o mais importante é obter os planos adequados para avaliar corretamente cada estrutura, e não apenas produzir uma imagem tridimensional.
Se a janela habitual foi perdida, não significa que a avaliação deva ser simplesmente abandonada.
Algumas estruturas ainda podem ser examinadas mais tarde, porém existem razões técnicas e assistenciais para que o rastreamento anatômico seja preferencialmente realizado dentro da janela recomendada.
Nesse caso, converse com o profissional responsável pelo pré-natal para definir a melhor conduta.
Consulte também nosso guia de Exames do Segundo Trimestre da Gravidez .
- EMPRESA BRASILEIRA DE SERVIÇOS HOSPITALARES (EBSERH). Maternidade-Escola Assis Chateaubriand. Ultrassom Morfológico do Segundo Trimestre: Protocolo PRO.UOBT.006 – Versão 2. Fortaleza: EBSERH, 2025. Emissão: 1 abr. 2025. Disponível em: Protocolo de Ultrassom Morfológico do Segundo Trimestre . Acesso em: 24 ago. 2026.
- INTERNATIONAL SOCIETY OF ULTRASOUND IN OBSTETRICS AND GYNECOLOGY (ISUOG). ISUOG Practice Guidelines (updated): performance of the routine mid-trimester fetal ultrasound scan. Ultrasound in Obstetrics & Gynecology, v. 59, n. 6, p. 840-856, 2022. Disponível em: https://www.isuog.org/ . Acesso em: 24 ago. 2026.
- AMERICAN COLLEGE OF OBSTETRICIANS AND GYNECOLOGISTS (ACOG). Ultrasound Exams. Washington, DC: ACOG. Disponível em: https://www.acog.org/womens-health/faqs/ultrasound-exams . Acesso em: 24 ago. 2026.
- AMERICAN COLLEGE OF OBSTETRICIANS AND GYNECOLOGISTS (ACOG). Current ACOG Guidance: Non-Invasive Prenatal Testing. Washington, DC: ACOG. Disponível em: https://www.acog.org/advocacy/policy-priorities/non-invasive-prenatal-testing/current-acog-guidance . Acesso em: 24 ago. 2026.
- BUIJTENDIJK, M. F. J.; BET, B. B.; LEEFLANG, M. M. G.; SHAH, H.; REUVEKAMP, T.; GORING, T.; et al. Diagnostic accuracy of ultrasound screening for fetal structural abnormalities during the first and second trimester of pregnancy in low-risk and unselected populations. Cochrane Database of Systematic Reviews, 2024, n. 5, Art. No. CD014715. DOI: 10.1002/14651858.CD014715.pub2 . Acesso em: 24 ago. 2026.
- AMERICAN COLLEGE OF OBSTETRICIANS AND GYNECOLOGISTS (ACOG). Prenatal Genetic Screening Tests. Washington, DC: ACOG. Disponível em: https://www.acog.org/womens-health/faqs/prenatal-genetic-screening-tests . Acesso em: 24 ago. 2026.

Lincoln Soledade, – Biomédico CRBM 41556/ES. Mestrando em Gestão em Saúde Pública. Especialista em Patologia Clínica e pós-graduado em Estética Avançada, atua desde 2018 na área de diagnóstico clínico hospitalar. Ao longo de sua trajetória, tem se dedicado à aplicação rigorosa do conhecimento científico para promover diagnósticos precisos, contribuindo significativamente para a qualidade do cuidado em saúde.

