O terceiro trimestre da gravidez começa por volta da 28ª semana e segue até o nascimento. Nessa fase, o pré-natal entra em uma etapa decisiva: além de acompanhar o crescimento e o bem-estar do bebê, alguns exames são realizados novamente para identificar alterações que podem ter surgido depois das primeiras avaliações da gestação.
Entre os exames do terceiro trimestre da gravidez, podem estar o hemograma, testes para sífilis e HIV, exames de urina e, dependendo dos resultados anteriores, nova avaliação para toxoplasmose. Além disso, próximo ao parto, alguns serviços realizam a pesquisa de Streptococcus do grupo B, conhecida popularmente como “exame do cotonete”.
Entretanto, isso não significa que todas as gestantes devam repetir exatamente os mesmos exames.
O histórico da gravidez, os resultados do primeiro e segundo trimestre, a presença de doenças maternas, medicamentos utilizados, pressão arterial, sintomas e alterações observadas no bebê podem modificar o cronograma.
Se você ainda está acompanhando as etapas anteriores do pré-natal, vale consultar também:
- Exames do Primeiro Trimestre da Gravidez: quais fazer e quando
- Exames do Segundo Trimestre da Gravidez: quais fazer e quando
- Exames do Pré-Natal Completo: entenda a importância de cada um
Quais exames são feitos no terceiro trimestre da gravidez?
De maneira geral, a fase final do pré-natal pode incluir:
- Hemograma;
- Testes para sífilis;
- Teste para HIV;
- Exame de urina;
- Urocultura, conforme protocolo e histórico;
- Avaliação da toxoplasmose em gestantes suscetíveis;
- Acompanhamento da glicemia quando necessário;
- Pesquisa de Streptococcus do grupo B próximo ao parto, conforme protocolo;
- Avaliação de anticorpos em determinadas gestantes Rh negativo;
- Exames adicionais quando existe suspeita de pré-eclâmpsia, anemia, infecção ou outras complicações.
Além disso, ultrassonografia, Doppler, cardiotocografia e outras avaliações fetais podem ser solicitadas quando houver indicação obstétrica.
Cronograma resumido do terceiro trimestre
| Período da gestação | Exames e avaliações que podem ser realizados |
|---|---|
| 28–30 semanas | Hemograma, HIV, sífilis, exames urinários e outros, conforme protocolo. |
| Por volta de 28 semanas | Avaliação específica da gestante Rh negativo e profilaxia anti-D quando indicada. |
| Durante o 3º trimestre | Toxoplasmose em gestantes suscetíveis, acompanhamento de anemia, diabetes e outras condições. |
| 35–37 semanas, aproximadamente | Pesquisa de Streptococcus do grupo B conforme protocolo do serviço. |
| Próximo ao parto | Revisão das sorologias, tipagem sanguínea e exames relevantes para a assistência ao nascimento. |
| A qualquer momento | Exames adicionais quando surgem sintomas ou alterações maternas ou fetais. |
Essa tabela serve como orientação geral. O pedido do obstetra ou da equipe responsável pelo pré-natal é o que deve definir quais exames são necessários em cada gestação.
Hemograma no terceiro trimestre
O hemograma completo é um dos exames mais importantes do pré-natal.
No terceiro trimestre, sua repetição permite verificar principalmente a concentração de hemoglobina e acompanhar possíveis alterações hematológicas que tenham surgido durante a gestação.
O exame apresenta parâmetros como:
- Hemoglobina;
- Hematócrito;
- Número de hemácias;
- VCM;
- HCM;
- RDW;
- Leucócitos;
- Plaquetas.
Nesse contexto, uma das preocupações mais frequentes é a anemia durante a gravidez.
Conforme a gestação avança, ocorre aumento importante do volume plasmático materno. Ao mesmo tempo, a demanda de ferro também cresce. Consequentemente, alterações da hemoglobina podem aparecer ou se tornar mais evidentes na fase final da gravidez.
Do ponto de vista laboratorial, eu considero importante não olhar apenas para a hemoglobina isoladamente. Quando há anemia, parâmetros como VCM, HCM e RDW ajudam a caracterizar melhor o padrão, enquanto a ferritina e outros marcadores podem contribuir para a investigação da deficiência de ferro.
Para entender melhor esses parâmetros, consulte nosso hub de Exames de Hematologia.
Hemoglobina baixa significa necessariamente falta de ferro?
Não.
Embora a deficiência de ferro seja uma causa muito relevante de anemia durante a gravidez, existem outras possibilidades.
Dependendo do caso, a investigação pode incluir:
- Ferritina;
- Ferro sérico;
- Transferrina;
- Índice de saturação da transferrina;
- Vitamina B12;
- Ácido fólico;
- Reticulócitos;
- Outros exames conforme o padrão hematológico.
Por isso, o resultado deve ser interpretado em conjunto.
Além disso, a ferritina pode sofrer influência de processos inflamatórios. Portanto, interpretar um único número sem considerar o restante do hemograma e a situação clínica pode levar a conclusões inadequadas.
Sífilis precisa ser repetida no terceiro trimestre?
A sífilis merece atenção especial durante toda a gestação, porque uma infecção adquirida depois do primeiro exame também pode representar risco para o bebê.
Por esse motivo, a estratégia brasileira de pré-natal inclui nova testagem durante a gestação e avaliação próxima ao parto, conforme o protocolo assistencial.
Os testes podem incluir:
- Teste rápido para sífilis;
- VDRL;
- RPR;
- testes treponêmicos.
No entanto, esses exames não significam exatamente a mesma coisa.
Os testes treponêmicos detectam anticorpos relacionados ao contato com o Treponema pallidum, enquanto testes como o VDRL possuem aplicações importantes na avaliação e no acompanhamento.
Portanto, um resultado reagente precisa ser analisado dentro do algoritmo diagnóstico adequado.
Por que repetir sífilis se o exame do primeiro trimestre foi negativo?
Porque o resultado negativo representa o momento em que a coleta foi realizada.
Uma gestante pode ter um exame negativo no início da gravidez e adquirir a infecção posteriormente.
Esse é um dos principais motivos pelos quais alguns exames infecciosos são repetidos ao longo do pré-natal.
Além disso, detectar a infecção antes do parto permite iniciar rapidamente as medidas necessárias para reduzir o risco de transmissão vertical.
HIV no terceiro trimestre
O mesmo raciocínio se aplica ao teste para HIV.
Mesmo que o resultado realizado no começo do pré-natal tenha sido negativo, uma nova avaliação é importante porque pode ter ocorrido exposição depois da primeira coleta.
Por isso, existe nova testagem durante a parte final dagestação,o conforme o protocolo do pré-natal.
Quando uma infecção é identificada, existem medidas capazes de reduzir significativamente o risco de transmissão para o bebê.
Consequentemente, a realização do exame no momento adequado não é apenas uma questão de diagnóstico materno: também faz parte das estratégias de prevenção da transmissão vertical.
Exame de urina no terceiro trimestre
A avaliação da urina continua sendo importante durante a gravidez.
O EAS, também chamado de urina tipo 1, pode fornecer informações sobre diversos componentes:
- Leucócitos;
- Hemácias;
- Proteínas;
- Glicose;
- Nitrito;
- Densidade;
- pH;
- Células epiteliais;
- Bactérias descritas no sedimento;
- Outros elementos urinários.
Caso queira compreender cada um desses parâmetros, consulte nosso conteúdo sobre Exame de Urina EAS.
EAS e urocultura são a mesma coisa?
Não.
Essa é uma diferença importante.
O EAS analisa características físicas, químicas e microscópicas da urina.
Já a urocultura procura demonstrar crescimento de microrganismos e, quando indicada, pode ser acompanhada de antibiograma.
Na prática laboratorial, considero importante explicar essa diferença porque leucócitos ou bactérias descritos no EAS não equivalem automaticamente a uma urocultura positiva.
Da mesma maneira, a ausência de nitrito no EAS não exclui necessariamente uma infecção urinária.
Assim, quando existe suspeita clínica ou alteração relevante, a urocultura pode ser necessária.
Por que a infecção urinária merece atenção na gravidez?
Durante a gestação, infecções urinárias precisam ser avaliadas adequadamente.
Além disso, pode ocorrer bacteriúria sem sintomas, situação em que a gestante não apresenta ardência ou dor típica, mas há crescimento bacteriano na cultura.
Por essa razão, o acompanhamento urinário faz parte da rotina pré-natal em diferentes momentos, conforme o protocolo e o histórico da paciente.
Para conteúdos relacionados aos exames urinários e à função dos rins, veja também nosso guia de Exames de Função Renal.
Toxoplasmose precisa ser repetida?
Depende dos resultados obtidos anteriormente.
Uma gestante que apresenta evidências laboratoriais compatíveis com infecção passada não é acompanhada da mesma forma que uma gestante considerada suscetível à toxoplasmose.
Quando a gestante permanece suscetível, novas sorologias podem ser solicitadas durante a gravidez, conforme o protocolo adotado.
Normalmente são avaliados:
- Toxoplasmose IgG;
- Toxoplasmose IgM.
Em situações específicas, testes adicionais, como avidez de IgG, podem contribuir para a investigação.
Do ponto de vista técnico, considero especialmente importante evitar uma interpretação muito comum: IgM reagente isoladamente não permite determinar, por si só, quando a infecção ocorreu.
A interpretação precisa considerar IgG, resultados anteriores, idade gestacional e, em determinadas situações, testes complementares.
Gestante Rh negativo: o que acontece por volta de 28 semanas?
O fator Rh também continua importante na fase final da gravidez.
Quando a gestante é Rh negativo, é necessário verificar se houve sensibilização contra antígenos eritrocitários.
Nesse contexto, o Coombs indireto, ou pesquisa de anticorpos irregulares, pode fazer parte do acompanhamento.
Você pode entender melhor esse exame no artigo Coombs Indireto: resultado positivo e negativo.
Para que serve a imunoglobulina anti-D?
Em gestantes Rh negativo não sensibilizadas, a imunoglobulina anti-D pode ser indicada preventivamente por volta da 28ª semana, conforme protocolo e avaliação obstétrica.
Além disso, existem outras situações em que sua utilização pode ser considerada.
É importante lembrar que anti-D é uma imunoglobulina, e não uma vacina.
Seu objetivo é reduzir a possibilidade de sensibilização materna contra o antígeno RhD.
Coombs indireto positivo significa que o bebê está com anemia?
Não necessariamente.
O resultado positivo indica a presença de anticorpos eritrocitários maternos detectáveis.
Em seguida, é necessário determinar:
- Qual anticorpo foi identificado;
- Sua relevância clínica;
- Sua concentração ou título, quando aplicável;
- Histórico obstétrico;
- Necessidade de acompanhamento fetal adicional.
Portanto, um Coombs indireto positivo não deve ser interpretado isoladamente como diagnóstico de anemia fetal.
E o diabetes gestacional?
A principal janela para realização do TOTG com 75 g é geralmente entre 24 e 28 semanas, ainda na transição entre o segundo e o terceiro trimestre.
Por isso, esse exame foi abordado em detalhes no nosso guia sobre Exames do Segundo Trimestre da Gravidez.
Também temos um conteúdo específico sobre o Teste de Tolerância à Glicose na Gravidez — TOTG.
Caso o diagnóstico de diabetes gestacional já tenha sido estabelecido, o acompanhamento passa a ser individualizado.
Além disso, glicemia capilar e outras avaliações podem ser utilizadas para monitorar o controle glicêmico.
Veja também nosso guia sobre Diabetes Gestacional.
Não fiz o TOTG entre 24 e 28 semanas. E agora?
Não significa que a avaliação deva ser simplesmente abandonada.
Se a janela habitual foi perdida, o profissional responsável pelo pré-natal deverá analisar a situação e definir qual estratégia de avaliação é mais adequada.
Isso é especialmente importante porque não existe benefício em tentar interpretar um exame fora do protocolo sem considerar o contexto em que ele foi realizado.
Streptococcus do grupo B: o “exame do cotonete”
No final da gravidez, algumas gestantes realizam a pesquisa de Streptococcus do grupo B, também chamado de:
- GBS;
- EGB;
- Streptococcus agalactiae;
- Estreptococo beta-hemolítico do grupo B.
Popularmente, o procedimento ficou conhecido como “exame do cotonete da gestante”.
A coleta é feita geralmente por meio de swab em regiões vaginal e anorretal, conforme o protocolo utilizado.
O objetivo é identificar colonização materna.
Quando fazer o Streptococcus B?
A pesquisa é realizada no final da gravidez, quando adotada pelo protocolo do serviço, frequentemente em torno de 35 a 37 semanas.
O momento da coleta é importante porque a colonização bacteriana pode mudar durante a gestação.
Consequentemente, realizar o exame muito cedo pode não representar adequadamente a situação próxima ao parto.
Streptococcus B positivo significa infecção?
Não necessariamente.
Esse é outro ponto importante.
A presença da bactéria pode representar colonização, e a gestante pode não apresentar qualquer sintoma.
O principal objetivo do rastreamento é identificar situações em que medidas preventivas durante o trabalho de parto podem reduzir o risco de infecção no recém-nascido.
Portanto, um resultado positivo não deve ser interpretado como se fosse uma infecção vaginal comum.
Streptococcus B positivo significa cesariana?
Não.
A colonização por Streptococcus do grupo B não determina, por si só, a necessidade de cesariana.
Quando a profilaxia está indicada, uma das principais estratégias é a administração de antibiótico durante o trabalho de parto.
Assim, a decisão sobre a via de parto envolve outros fatores obstétricos.
Precisa repetir hepatite B e hepatite C?
Os exames para hepatites são importantes no pré-natal.
Entretanto, a necessidade de nova testagem no terceiro trimestre pode depender de:
- Exames realizados anteriormente;
- Fatores de risco;
- Novas exposições;
- Protocolos assistenciais;
- Histórico clínico.
Portanto, HIV, sífilis e hepatites não devem ser colocados indiscriminadamente dentro de um mesmo cronograma sem considerar as recomendações específicas de cada infecção.
Exames da tireoide precisam ser repetidos?
Nem toda gestante precisa repetir TSH e T4 livre simplesmente porque chegou ao terceiro trimestre.
Por outro lado, quando existe:
- Hipotireoidismo;
- Hipertireoidismo;
- Alteração laboratorial anterior;
- Uso de medicamentos para tireoide;
- Doença autoimune;
- Outra indicação clínica.
O acompanhamento pode exigir novas dosagens.
Para entender os diferentes marcadores, consulte nosso hub de Exames da Tireoide.
Ultrassom do terceiro trimestre é obrigatório?
Não necessariamente.
Em uma gestação de baixo risco e com acompanhamento normal, a necessidade de ultrassonografias adicionais depende do protocolo e da avaliação obstétrica.
O exame pode ser solicitado para avaliar:
- Crescimento fetal;
- Posição do bebê;
- Localização da placenta;
- Líquido amniótico;
- Determinadas alterações previamente identificadas.
Além disso, gestações de maior risco podem exigir acompanhamento ultrassonográfico mais frequente.
Doppler é obrigatório no terceiro trimestre?
Também não.
A ultrassonografia com Doppler fornece informações sobre determinados aspectos da circulação materna e fetal.
Ela pode ser particularmente útil quando existe preocupação com:
- Crescimento fetal;
- Função placentária;
- Hipertensão;
- Determinadas condições maternas;
- Alterações identificadas em outros exames.
Contudo, isso não significa que toda gestante precise realizar Doppler repetidamente.
Cardiotocografia é exame de rotina?
A cardiotocografia registra parâmetros relacionados à frequência cardíaca fetal e à atividade uterina.
Pode ser importante em determinadas situações, sobretudo quando há indicação obstétrica.
No entanto, da mesma maneira que ocorre com o Doppler, a sua necessidade depende do contexto.
Em uma gravidez sem intercorrências, não se deve presumir que realizar mais exames automaticamente representa um pré-natal melhor.
Pressão alta no terceiro trimestre pode mudar os exames solicitados
Sim.
As doenças hipertensivas da gravidez merecem especial atenção na fase final da gestação.
Quando existe elevação da pressão arterial ou suspeita de pré-eclâmpsia, podem ser solicitados exames como:
- Hemograma e plaquetas;
- Creatinina;
- TGO;
- TGP;
- Avaliação de proteína na urina;
- outros exames conforme o quadro.
Esses exames ajudam a investigar repercussões hematológicas, renais e hepáticas.
Nesse contexto, nossos hubs de Exames de Hematologia, Função Renal e Função Hepática podem ajudar a entender o significado de cada marcador.
Proteína na urina confirma pré-eclâmpsia?
Não isoladamente.
A proteinúria pode ser um achado importante na investigação, porém sua interpretação precisa considerar pressão arterial, idade gestacional, sintomas e outras alterações laboratoriais.
Do ponto de vista biomédico, eu destacaria aqui uma regra que vale para boa parte do pré-natal: o padrão formado por vários resultados costuma ser mais informativo do que um único exame fora do contexto.
Plaquetas baixas na gravidez significam uma complicação grave?
Não necessariamente.
As plaquetas podem diminuir durante a gravidez por diferentes motivos.
Algumas alterações são relativamente comuns, enquanto outras exigem investigação mais aprofundada.
Por isso, o resultado precisa ser analisado considerando:
- Intensidade da redução;
- Evolução das contagens;
- Pressão arterial;
- Enzimas hepáticas;
- Sintomas;
- Histórico;
- outros achados do hemograma.
Consequentemente, uma única contagem reduzida não deve ser interpretada sem o restante do contexto clínico e laboratorial.
Quais exames fazer com 28 semanas?
Por volta da 28ª semana ocorre uma transição importante do pré-natal.
Dependendo do protocolo e dos exames anteriores, podem entrar nessa etapa:
- Hemograma;
- Nova testagem para HIV;
- Sífilis;
- Avaliação urinária;
- Investigação de anemia;
- Acompanhamento glicêmico;
- Avaliação da gestante Rh negativo;
- Toxoplasmose, quando indicada.
Além disso, doenças ou alterações identificadas anteriormente podem exigir exames específicos.
Quais exames fazer com 30 semanas?
Por volta de 30 semanas, muitas avaliações iniciadas próximo da 28ª semana continuam sendo revisadas.
Caso os exames estejam normais e a gestação seja de baixo risco, o acompanhamento seguirá conforme o cronograma do pré-natal.
Por outro lado, anemia, alterações urinárias, hipertensão, diabetes gestacional ou alterações fetais podem gerar novos pedidos.
Quais exames fazer com 35 ou 36 semanas?
Nesse momento, o parto começa a ficar mais próximo.
Quando adotada pelo serviço, a pesquisa de Streptococcus do grupo B ganha destaque.
Além disso, a equipe normalmente revisa os exames realizados durante a gestação e verifica se algum resultado importante ainda precisa ser atualizado.
Exames próximos ao parto
Na fase final, é importante que a equipe tenha acesso aos principais resultados do pré-natal.
Entre as informações relevantes estão:
- Grupo sanguíneo;
- Fator Rh;
- Pesquisa de anticorpos quando indicada;
- HIV;
- Sífilis;
- Hepatites;
- Hemograma;
- Exames urinários;
- Streptococcus B quando pesquisado;
- Condições maternas diagnosticadas durante a gravidez.
Portanto, manter a caderneta da gestante atualizada é muito importante.
O que muda nas consultas do terceiro trimestre?
Além dos exames laboratoriais, as consultas tornam-se progressivamente mais frequentes conforme o parto se aproxima.
Durante o acompanhamento, podem ser avaliados:
- Pressão arterial;
- Peso materno;
- Crescimento uterino;
- Batimentos cardíacos fetais;
- Movimentação fetal;
- Presença de edema;
- Sintomas;
- Sinais de trabalho de parto.
Assim, exames laboratoriais são apenas uma parte da avaliação.
Quando a gestante deve procurar avaliação antes da próxima consulta?
Algumas situações não devem esperar apenas pela próxima coleta laboratorial ou consulta de rotina.
Sangramento, perda de líquido, redução importante dos movimentos fetais, dor intensa, sintomas neurológicos importantes, pressão arterial muito elevada quando conhecida ou outras alterações relevantes precisam de avaliação obstétrica sem depender de um exame laboratorial previamente agendado.
O laboratório ajuda a investigar uma situação, mas não substitui a avaliação clínica quando há sintomas importantes.
Checklist dos exames do terceiro trimestre da gravidez
Por volta de 28 a 30 semanas
Dependendo do protocolo:
- Hemograma;
- HIV;
- Sífilis;
- EAS;
- Urocultura, quando indicada;
- Avaliação da toxoplasmose em gestantes suscetíveis;
- Acompanhamento glicêmico;
- Avaliação de gestantes Rh negativo.
Durante o terceiro trimestre
Conforme cada caso:
- Ferritina e investigação de anemia;
- TSH e T4 livre;
- Função renal;
- Função hepática;
- Proteinúria;
- Plaquetas;
- Ultrassonografia;
- Doppler;
- Outros exames maternos ou fetais.
Próximo de 35 a 37 semanas
Conforme protocolo:
- pesquisa de Streptococcus do grupo B.
Antes do parto
A equipe deve revisar resultados importantes e verificar se existe alguma avaliação pendente ou condição que exija cuidados específicos durante o nascimento.
Como saber quantas semanas de gravidez você está?
Como vários exames dependem diretamente da idade gestacional, é importante saber corretamente em qual semana da gravidez você está.
Para facilitar, utilize nossa Calculadora de Semanas de Gestação.
A ferramenta permite estimar:
- Semanas de gestação;
- Dias adicionais;
- Idade gestacional;
- data provável do parto.
Entretanto, a datação obstétrica oficial deve considerar os critérios utilizados pela equipe de pré-natal, especialmente quando existe diferença entre a DUM e ultrassonografias realizadas no início da gravidez.
Exames do primeiro, segundo e terceiro trimestre: qual a diferença?
A melhor forma de entender o pré-natal é enxergá-lo como uma sequência.
Primeiro trimestre
A fase inicial é direcionada principalmente para:
- Confirmação e datação da gravidez;
- Tipagem sanguínea;
- Hemograma;
- Glicemia;
- Sorologias;
- Avaliação urinária;
- Rastreamentos iniciais;
- Ultrassonografia;
- Avaliação de riscos.
Leia: Exames do Primeiro Trimestre da Gravidez.
Segundo trimestre
A fase intermediária inclui avaliações importantes, como:
- Ultrassom morfológico;
- TOTG entre 24 e 28 semanas;
- Acompanhamento de gestantes Rh negativo;
- Toxoplasmose em gestantes suscetíveis;
- Exames adicionais conforme resultados anteriores.
Leia: Exames do Segundo Trimestre da Gravidez.
Terceiro trimestre
Por fim, a atenção passa para:
- Repetição de exames estratégicos;
- Rastreamento de infecções adquiridas ao longo da gestação;
- Anemia;
- Alterações urinárias;
- Condições relacionadas ao final da gravidez;
- Preparação laboratorial para o parto.
Essa interligação entre os três períodos permite compreender por que determinados exames são realizados uma vez, enquanto outros precisam ser repetidos.
Todos os exames do terceiro trimestre são obrigatórios?
Não existe uma lista universal idêntica para todas as gestantes.
Alguns exames fazem parte da rotina de acompanhamento, enquanto outros dependem de:
- Resultados anteriores;
- Protocolo do serviço;
- Idade materna;
- Doenças preexistentes;
- Medicamentos;
- Fatores de risco;
- Sintomas;
- Características da gestação;
- Alterações fetais.
Portanto, fazer “todos os exames possíveis” não é o objetivo do pré-natal.
O objetivo é realizar o exame correto, no momento adequado e com interpretação apropriada.
Conclusão
Os exames do terceiro trimestre da gravidez têm papel importante na preparação para o nascimento e na identificação de alterações que podem ter surgido depois das primeiras etapas do pré-natal.
Por volta da 28ª semana, exames como hemograma, HIV, sífilis e avaliação urinária podem ganhar destaque. Além disso, gestantes Rh negativo podem precisar de acompanhamento específico, enquanto mulheres suscetíveis à toxoplasmose podem continuar a investigação sorológica.
Mais próximo do parto, a pesquisa para Streptococcus do grupo B, quando prevista pelo protocolo assistencial, ajuda a definir medidas preventivas durante o nascimento.
Por outro lado, ultrassom, Doppler, cardiotocografia, testes da tireoide e vários outros exames não devem ser apresentados como obrigatórios para todas as gestantes. A indicação depende da evolução do pré-natal.
Na minha visão técnico-laboratorial, o ponto mais importante é justamente esse: um resultado só ganha significado adequado quando é relacionado à idade gestacional, aos exames anteriores e ao contexto materno e fetal.
Por isso, acompanhe toda a sequência do pré-natal:
Exames do Primeiro Trimestre → Exames do Segundo Trimestre → Exames do Terceiro Trimestre → Pré-Natal Completo.
E, para acessar outros conteúdos sobre exames, desenvolvimento da gravidez e ferramentas, visite nossa página central de Gestação.
Dúvidas frequentes sobre os exames do terceiro trimestre da gravidez
Entre os exames que podem fazer parte do terceiro trimestre da gravidez estão hemograma, nova testagem para sífilis e HIV, exame de urina, urocultura conforme indicação e acompanhamento da toxoplasmose em gestantes suscetíveis.
Além disso, próximo ao parto, alguns serviços realizam a pesquisa de Streptococcus do grupo B. Outros exames dependem dos resultados anteriores, do risco obstétrico e da evolução da gestação.
Veja também o guia de exames do segundo trimestre da gravidez .
Por volta da 28ª semana, podem ser solicitados exames como hemograma, testes para HIV e sífilis, avaliação urinária e outros exames conforme a rotina do pré-natal.
Gestantes com fator Rh negativo também podem precisar de acompanhamento específico nessa fase, incluindo avaliação de anticorpos e uso de imunoglobulina anti-D quando houver indicação.
Para entender essa investigação, veja: Exame Coombs Indireto .
Sim, a rotina do pré-natal prevê nova testagem durante a gestação. Um resultado negativo realizado no início da gravidez representa apenas aquele momento e não exclui uma infecção adquirida posteriormente.
Por isso, a repetição ajuda a identificar infecções recentes e permite iniciar rapidamente medidas para reduzir o risco de transmissão para o bebê.
A pesquisa de Streptococcus do grupo B costuma ser realizada no final da gravidez quando prevista pelo protocolo do serviço, frequentemente em torno de 35 a 37 semanas.
A coleta é geralmente feita com swab em regiões vaginal e anorretal para verificar se existe colonização materna pelo Streptococcus agalactiae.
Um resultado positivo não significa necessariamente que a gestante esteja com uma infecção ou apresente sintomas.
Não. A presença de Streptococcus do grupo B não determina, por si só, a necessidade de cesariana.
Quando existe indicação, uma das principais medidas de prevenção é a administração de antibiótico durante o trabalho de parto para reduzir o risco de transmissão da bactéria ao recém-nascido.
Portanto, a definição da via de parto depende de outros critérios obstétricos.
O hemograma costuma ser novamente avaliado na fase final da gravidez conforme a rotina do pré-natal. Ele ajuda a acompanhar hemoglobina, hematócrito, índices das hemácias, leucócitos e plaquetas.
Além disso, quando existe suspeita de anemia, outros exames como ferritina podem ser utilizados para complementar a investigação.
Para compreender os principais parâmetros, consulte: Exames de Hematologia .
Não. O EAS, ou urina tipo 1, avalia características químicas e microscópicas da urina, como leucócitos, hemácias, nitrito, proteínas, glicose e outros elementos.
Já a urocultura pesquisa o crescimento de microrganismos e pode ser acompanhada de antibiograma quando necessário.
Portanto, leucócitos ou bactérias observados no EAS não significam automaticamente uma urocultura positiva.
Veja também: Exame de Urina EAS: como interpretar .
Não necessariamente. A necessidade de ultrassonografias adicionais depende da avaliação obstétrica, dos exames anteriores e do protocolo utilizado no acompanhamento.
O ultrassom pode ser solicitado para avaliar crescimento fetal, posição do bebê, placenta, líquido amniótico ou acompanhar alguma alteração identificada anteriormente.
Da mesma forma, exames como Doppler e cardiotocografia possuem indicações específicas e não precisam ser realizados indiscriminadamente em todas as gestações de baixo risco.
Não. Nem todos os exames realizados no início da gravidez precisam ser repetidos automaticamente antes do parto.
Alguns testes possuem repetição programada durante o pré-natal, enquanto outros são refeitos apenas quando há indicação, exposição de risco, alteração anterior ou necessidade clínica.
Para visualizar a sequência completa, consulte também: Exames do Pré-Natal Completo .
- BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Departamento de Gestão do Cuidado Integral. Caderneta Brasileira da Gestante. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2026. 108 p. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/caderneta_brasileira_gestante.pdf . Acesso em: 23 ago. 2026.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Cuidado pré-natal de rotina: planejamento terapêutico — Pré-natal de baixo risco. Brasília, DF: Ministério da Saúde. Disponível em: https://linhasdecuidado.saude.gov.br/portal/pre-natal-baixo-risco/unidade-de-atencao-primaria/planejamento-terapeutico/ . Acesso em: 23 ago. 2026.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Prevenção da Transmissão Vertical do HIV, Sífilis e Hepatites Virais. Brasília, DF: Ministério da Saúde. Portaria SCTIE/MS nº 55, de 11 de novembro de 2020; anexo alterado em 4 jul. 2024. Disponível em: Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas . Acesso em: 23 ago. 2026.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Sífilis em gestantes. Brasília, DF: Ministério da Saúde. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/sifilis/gestantes/gestantes/ . Acesso em: 23 ago. 2026.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Prevenção da transmissão vertical do HIV, sífilis e hepatites virais. Brasília, DF: Ministério da Saúde. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/a/aids-hiv/prevencao-a-transmissao-vertical . Acesso em: 23 ago. 2026.
- AMERICAN COLLEGE OF OBSTETRICIANS AND GYNECOLOGISTS (ACOG). Prevention of Group B Streptococcal Early-Onset Disease in Newborns. ACOG Committee Opinion No. 797. Obstetrics & Gynecology, v. 135, n. 2, p. e51-e72, 2020. Disponível em: https://www.acog.org/ . Acesso em: 23 ago. 2026.
- CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION (CDC). Screening for Group B Strep Bacteria. Atlanta: CDC, 2025. Disponível em: https://www.cdc.gov/group-b-strep/testing/index.html . Acesso em: 23 ago. 2026.

Lincoln Soledade, – Biomédico CRBM 41556/ES. Mestrando em Gestão em Saúde Pública. Especialista em Patologia Clínica e pós-graduado em Estética Avançada, atua desde 2018 na área de diagnóstico clínico hospitalar. Ao longo de sua trajetória, tem se dedicado à aplicação rigorosa do conhecimento científico para promover diagnósticos precisos, contribuindo significativamente para a qualidade do cuidado em saúde.

