Streptococcus do Grupo B na Gravidez: Quando Fazer, Como é a Coleta e Resultado Positivo

Gestante realizando coleta de swab vaginal para pesquisa de Streptococcus agalactiae durante o pré-natal, exame usado para rastrear estreptococo do grupo B.

O Streptococcus do grupo B na gravidez, também chamado de EGB, GBS ou Streptococcus agalactiae, é uma bactéria que pode estar naturalmente presente no trato gastrointestinal e genital sem provocar sintomas.

Por isso, encontrar a bactéria em uma cultura realizada no final da gravidez não significa necessariamente que a gestante esteja com uma infecção.

Na maioria das vezes, o resultado indica colonização.

Entretanto, essa colonização ganha importância próximo ao parto porque a bactéria pode ser transmitida ao bebê, principalmente durante o trabalho de parto ou após a ruptura das membranas.

Por esse motivo, diferentes protocolos recomendam o rastreamento vaginal e retal no final da gestação. O exame costuma integrar os exames do terceiro trimestre da gravidez, especialmente nas semanas que antecedem o parto, com o objetivo de identificar gestantes colonizadas que poderão se beneficiar de profilaxia antibiótica durante o trabalho de parto, quando indicada.

Do ponto de vista laboratorial, considero que a primeira distinção que precisamos fazer é:

Streptococcus B positivo não significa automaticamente infecção vaginal.

O objetivo desse exame é principalmente identificar colonização materna, e não diagnosticar uma vaginite.

O que é o Streptococcus do grupo B?

O Streptococcus agalactiae é uma bactéria gram-positiva que pode colonizar principalmente o trato gastrointestinal e genital.

Uma pessoa pode apresentar a bactéria sem qualquer sinal ou sintoma.

Isso significa que a gestante pode estar perfeitamente bem e ainda assim apresentar uma cultura positiva.

Além disso, a colonização pode mudar ao longo do tempo.

Uma mulher pode apresentar:

cultura negativa em determinado momento

E, posteriormente,

Cultura positiva.

Ou o contrário.

É justamente por isso que o rastreamento, quando realizado, acontece relativamente próximo ao parto. O CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças) destaca que a presença do GBS pode ser transitória, razão pela qual o teste é realizado tardiamente em cada gravidez.

Por que o Streptococcus B é importante na gravidez?

A principal preocupação não é a presença da bactéria na gestante saudável em si, mas a possibilidade de transmissão para o recém-nascido.

A exposição pode acontecer durante o parto, especialmente quando existe colonização vaginal ou retal materna.

Em uma pequena proporção dos recém-nascidos expostos, o GBS pode provocar doença neonatal de início precoce, razão pela qual o rastreamento e a profilaxia intraparto são utilizados em diversos protocolos.

Portanto, precisamos separar três situações:

Colonização materna

Não é igual a

infecção materna

E nenhuma das duas significa automaticamente

infecção neonatal.

Essa distinção deve ficar clara desde o início.

Quando fazer o exame de Streptococcus B na gravidez?

Essa é uma das perguntas que merece uma explicação mais cuidadosa.

No Brasil, vários protocolos utilizam a janela de aproximadamente 35 a 37 semanas.

Um protocolo atualizado de pré-natal do Distrito Federal, por exemplo, orienta coleta vaginal e retal entre a 35ª e a 37ª semana para gestantes de risco habitual.

Já o American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG) recomenda atualmente o rastreamento universal entre:

36 semanas e 0 dias

E

37 semanas e 6 dias.

O CDC também apresenta atualmente a recomendação de realizar o rastreamento entre a 36ª e a 37ª semana de cada gravidez.

Portanto, encontrar recomendações como:

35–37 semanas

Ou

36–37 semanas

Não significa necessariamente que uma delas esteja errada.

Existem diferenças entre protocolos.

Como a indicação depende da idade gestacional, saber corretamente em qual semana da gravidez a gestante está é importante para programar a coleta. Em caso de dúvida, a Calculadora de Semanas de Gestação pode ajudar a estimar semanas e dias a partir da data da última menstruação.

Para o nosso artigo, eu considero mais adequado dizer:

A coleta costuma ser realizada no final da gravidez, aproximadamente entre 35 e 37 semanas, conforme o protocolo adotado pelo serviço de pré-natal.

Por que o exame é feito tão perto do parto?

Porque a colonização por Streptococcus agalactiae pode mudar.

Uma cultura realizada muito cedo pode não representar corretamente a situação da gestante no momento do nascimento.

O ACOG considera que culturas realizadas dentro de aproximadamente cinco semanas do parto apresentam melhor capacidade de representar o estado de colonização naquele momento, motivo pelo qual sua janela atual foi deslocada para 36 0/7–37 6/7 semanas.

Isso também explica por que não é interessante simplesmente realizar o exame no primeiro ou segundo trimestre e considerar aquele resultado definitivo para toda a gravidez.

Como é feita a coleta do Streptococcus B na gravidez?

Essa seção é especialmente importante neste exame.

A coleta é feita normalmente utilizando um swab estéril (cotonete), semelhante a uma pequena haste própria para obtenção de material microbiológico.

A amostra deve representar os dois principais locais de colonização:

Vagina

E

região retal.

O CDC descreve o rastreamento como uma coleta por swab da vagina e do reto, com posterior envio da amostra ao laboratório.

Em protocolos brasileiros, a coleta é frequentemente denominada:

Cultura vaginal e retal

Ou

Cultura anovaginal para Streptococcus do grupo B.

Como é feita a coleta vaginal?

O swab é introduzido na porção inferior da vagina para obter material da mucosa.

Para essa coleta de rastreamento:

não é necessário coletar material do colo uterino.

Também não é necessário utilizar espéculo simplesmente para obter a amostra destinada ao rastreamento do GBS.

O protocolo atualizado do Distrito Federal descreve inicialmente a coleta no intróito vaginal sem utilização de espéculo, seguida da coleta retal.

Como é feita a coleta retal?

Após a coleta vaginal, o swab é utilizado conforme o protocolo para obter material da região retal.

Esse detalhe é importante.

Uma coleta apenas vaginal pode ter menor capacidade de identificar a colonização do que uma estratégia que inclui vagina e reto.

Por isso, quando o objetivo é rastrear Streptococcus agalactiae na gravidez, considero importante conferir se a solicitação e o procedimento estão realmente direcionados para:

cultura vaginal + retal para EGB.

A coleta dói?

Normalmente é um procedimento rápido.

Pode causar algum desconforto, principalmente durante a coleta retal, mas não envolve coleta de sangue, agulha ou procedimento cirúrgico.

O CDC descreve o exame como simples, realizado utilizando swab vaginal e retal.

O exame de Streptococcus B precisa de jejum?

Não.

O rastreamento é realizado a partir de secreção obtida por swab, portanto não existe necessidade de jejum alimentar para esse exame.

Entretanto, o laboratório pode fornecer orientações específicas sobre higiene, uso de produtos vaginais, relações sexuais ou outros cuidados antes da coleta.

Como essas orientações podem variar de acordo com o método e o serviço, a gestante deve seguir a preparação fornecida pelo laboratório responsável.

O material é enviado para cultura?

A técnica tradicional envolve a cultura microbiológica.

Depois da coleta, o material é colocado em meio de transporte apropriado e encaminhado ao setor de microbiologia.

No laboratório, técnicas específicas permitem favorecer o crescimento e posteriormente identificar o Streptococcus agalactiae.

Uma etapa de enriquecimento seletivo pode ser utilizada para aumentar a capacidade de detectar pequenas quantidades da bactéria.

Existem também métodos moleculares, como testes de amplificação de ácido nucleico, mas eles não substituíram universalmente a cultura pré-natal tradicional.

O ACOG observa que testes moleculares rápidos podem ter aplicação em determinados cenários, particularmente quando o status da gestante no parto é desconhecido, mas ainda apresentam limitações e não substituem de maneira geral o rastreamento pré-natal por cultura.

O que significa Streptococcus B positivo na gravidez?

Um resultado positivo geralmente significa que foi detectado Streptococcus agalactiae na amostra vaginal e/ou retal.

Em outras palavras:

a gestante está colonizada pelo Streptococcus do grupo B naquele momento.

Isso não significa automaticamente:

  • Vaginite;
  • Doença sexualmente transmissível;
  • Infecção uterina;
  • Que o bebê está infectado;
  • Que será necessário fazer cesariana.

O principal impacto do resultado positivo é permitir que a equipe responsável pelo parto planeje a profilaxia antibiótica intraparto, quando indicada.

Streptococcus B positivo é uma infecção sexualmente transmissível?

Não.

O GBS pode fazer parte da microbiota gastrointestinal e genital.

Sua presença não é interpretada como uma infecção sexualmente transmissível.

Também não é adequado utilizar um resultado positivo para inferir comportamento sexual ou transmissão entre parceiros.

Streptococcus B positivo precisa ser tratado durante a gravidez?

Aqui precisamos separar colonização de infecção.

Quando existe apenas colonização vaginal ou retal identificada no rastreamento, a estratégia principal geralmente não é tentar eliminar permanentemente a bactéria semanas antes do parto.

O objetivo é administrar a profilaxia antibiótica no momento em que ela produz maior benefício para prevenir a doença neonatal precoce:

durante o trabalho de parto.

O ACOG destaca que regimes antibióticos administrados antes do parto por outras vias não demonstraram benefício comparável à profilaxia intraparto para prevenção da doença neonatal precoce.

Isso também acontece porque a bactéria pode voltar a colonizar o trato gastrointestinal ou genital.

Então, por que o antibiótico é dado durante o parto?

Porque esse é o período em que existe maior possibilidade de exposição do bebê à bactéria.

A profilaxia intraparto reduz a quantidade de GBS presente no trato genital e reduz o risco de doença neonatal precoce.

Por isso:

Cultura positiva

Registro do resultado no pré-natal

Informação disponível para a maternidade

Profilaxia intraparto, quando indicada.

Esse fluxo é mais importante do que simplesmente “tratar uma cultura positiva”.

Streptococcus B positivo significa que precisa fazer cesariana?

Não.

Um resultado positivo para GBS, isoladamente, não é indicação de cesariana.

A via de parto deve ser definida por critérios obstétricos.

Inclusive, uma gestante colonizada que entra em trabalho de parto pode receber profilaxia antibiótica e ter parto vaginal.

E se a cesariana já estiver programada?

Mesmo quem planeja cesariana pode ser submetida ao rastreamento, porque trabalho de parto ou ruptura das membranas podem ocorrer antes da data programada.

Entretanto, existe uma situação importante:

Quando a cesariana ocorre antes do início do trabalho de parto e com membranas intactas, a profilaxia específica contra GBS não é necessária apenas pelo fato de a cultura ser positiva.

Isso não elimina a antibioticoprofilaxia cirúrgica normalmente utilizada em cesarianas por outras razões.

São medidas diferentes.

O que significa Streptococcus B negativo?

Um resultado negativo significa que a bactéria não foi detectada na amostra analisada naquele momento.

Isso reduz a probabilidade de colonização no parto quando a cultura foi realizada dentro da janela apropriada.

Entretanto, microbiologicamente, eu evitaria dizer:

“Negativo significa que essa pessoa nunca teve Streptococcus B.”

Isso não é correto.

A colonização pode ser transitória.

O resultado representa essencialmente:

o status microbiológico detectável na amostra e no momento em que ela foi coletada.

O exame precisa ser feito em toda gravidez?

Nos protocolos que adotam rastreamento universal, sim.

Uma cultura negativa em uma gravidez anterior não significa que a gestante continuará negativa na próxima.

Da mesma forma, ter sido positiva anteriormente não significa necessariamente que será positiva em todas as gestações.

O CDC recomenda rastreamento no final de cada gravidez.

E se a mulher teve Streptococcus positivo na gravidez anterior?

Um resultado positivo anterior aumenta a probabilidade de colonização novamente, mas não define sozinho o resultado da gravidez atual.

Por isso, quando existe rastreamento disponível na gestação atual, o resultado atual é relevante.

Entretanto, se o trabalho de parto começar e o resultado desta gravidez estiver desconhecido, o histórico anterior pode influenciar a decisão sobre profilaxia.

O ACOG considera a colonização documentada em gravidez anterior um elemento relevante quando o status atual é desconhecido no momento do parto.

Existem gestantes que não precisam fazer a cultura?

Sim.

Existem situações em que a profilaxia intraparto já está indicada, independentemente do resultado de uma cultura vaginal-retal tardia.

Dois exemplos importantes são:

GBS identificado na urina durante a gravidez atual.

Ou

Histórico de recém-nascido anterior com doença invasiva causada por GBS.

Nessas circunstâncias, o ACOG considera que não é necessário depender de uma nova cultura tardia para decidir sobre profilaxia intraparto.

Streptococcus B na urina é a mesma coisa que swab positivo?

Não exatamente.

Encontrar Streptococcus agalactiae em uma urocultura significa que a bactéria foi identificada na urina. Essa avaliação é diferente do exame de urina tipo 1 (EAS), que analisa características físicas, químicas e microscópicas da amostra, mas não substitui a cultura para identificação bacteriana.

Já o swab vaginal-retal pesquisa colonização genital e gastrointestinal.

Entretanto, bacteriúria por GBS durante a gravidez possui importância especial porque indica maior colonização materna e influencia a conduta no parto.

Do ponto de vista laboratorial, portanto, não considero adequado ignorar um resultado anterior de urocultura apenas porque o swab posterior não foi realizado.

O histórico microbiológico da gravidez precisa acompanhar a gestante até a maternidade.

Toda bacteriúria por Streptococcus B precisa de tratamento imediato?

Existe uma distinção importante.

O ACOG considera que GBS detectado na urina em qualquer concentração durante a gravidez é indicação para profilaxia intraparto.

Entretanto, para tratamento da bacteriúria durante a própria gestação, o volume bacteriano, presença de sintomas e contexto clínico também importam. O documento diferencia bacteriúria com concentração de 10⁵ UFC/mL ou mais, que requer tratamento durante a gestação, de concentrações menores em pacientes assintomáticas, embora ambas sinalizem necessidade de profilaxia no parto.

Essa distinção é importante para não transformar:

“bactéria identificada”

Automaticamente em:

“mesma conduta em qualquer concentração e situação.”

E se o resultado não estiver pronto quando começar o trabalho de parto?

Nessa situação, a equipe obstétrica avalia os fatores de risco.

Entre os elementos considerados em protocolos estão:

  • Trabalho de parto prematuro;
  • Ruptura prolongada das membranas;
  • Febre durante o parto;
  • Histórico de GBS;
  • Bacteriúria por GBS na gestação;
  • Resultado de gravidez anterior;
  • Disponibilidade de teste rápido em determinados serviços.

O ACOG recomenda profilaxia em situações específicas quando o status é desconhecido e existem fatores de risco para doença neonatal precoce.

E se o parto acontecer antes da coleta?

O mesmo raciocínio se aplica.

Se o parto ocorrer prematuramente antes da realização do rastreamento, a equipe utiliza idade gestacional e demais fatores clínicos para definir a conduta.

Por isso, um nascimento prematuro não fica “sem opção” simplesmente porque a cultura ainda não havia sido realizada.

Quanto tempo vale o resultado do exame?

Esse é outro ponto pouco explicado.

A capacidade de uma cultura representar a colonização no momento do parto diminui quando passa muito tempo entre a coleta e o nascimento.

O ACOG trabalha com aproximadamente cinco semanas de validade clínica preditiva para a cultura antenatal.

Isso ajuda a explicar tanto a janela de coleta tardia quanto a possibilidade de repetir o exame em determinadas situações quando a gestação se prolonga.

Precisa repetir o Streptococcus B se o resultado foi negativo?

Geralmente não quando a cultura foi realizada corretamente, dentro da janela adequada e o parto acontece dentro do período considerado válido pelo protocolo.

Entretanto, pode haver situações em que uma coleta precoce precise ser repetida.

Um protocolo atualizado do Distrito Federal, por exemplo, prevê coleta antecipada para algumas pacientes com risco de parto prematuro e repetição quando a gestação continua.

Portanto, novamente:

idade gestacional da coleta importa.

Quem é alérgica à penicilina pode receber profilaxia?

Sim, mas a escolha do antibiótico depende do tipo e da gravidade da reação alérgica.

Esse é um ponto em que o laboratório também pode participar.

Em pacientes com maior risco de reação grave à penicilina, a sensibilidade do isolado à clindamicina pode influenciar a escolha do antimicrobiano.

Por isso, o ACOG orienta que a informação sobre alergia relevante à penicilina seja comunicada ao laboratório para que o isolamento positivo possa receber o teste de suscetibilidade apropriado.

Do ponto de vista técnico-laboratorial, esse detalhe é muito importante:

um antibiograma útil começa com informações clínicas adequadas na solicitação.

O antibiótico precisa ser administrado por quatro horas antes do parto?

Idealmente, maior tempo de exposição produz melhor profilaxia.

Entretanto, não se deve atrasar uma intervenção obstétrica necessária apenas para completar quatro horas.

O ACOG relata que mesmo aproximadamente duas horas de exposição já podem reduzir a quantidade de GBS no trato genital, embora quatro horas ou mais sejam consideradas mais eficazes.

Isso significa que não faz sentido interpretar:

“não deu quatro horas”

Como

“não adiantou absolutamente nada.”

A equipe neonatal considera o tempo de profilaxia junto dos demais fatores após o nascimento.

Streptococcus B positivo prejudica a gravidez antes do parto?

Na maioria das gestantes colonizadas e assintomáticas, não existe doença materna causada simplesmente pela presença vaginal-retal da bactéria.

Entretanto, S. agalactiae também pode causar infecções em determinadas circunstâncias, incluindo infecção urinária.

Por isso, um swab positivo de rastreamento e uma urocultura positiva acompanhada de sintomas não devem ser tratados como se representassem exatamente a mesma condição.

Resumo da interpretação

ResultadoInterpretação inicial
Cultura vaginal-retal positivaIndica colonização por Streptococcus do grupo B; geralmente orienta profilaxia intraparto.
Cultura negativaGBS não detectado na coleta; considerar momento e validade da amostra.
GBS na urina durante a gestaçãoTem significado especial e pode indicar profilaxia no parto, independentemente do swab tardio.
Positivo em gravidez anteriorNão determina o resultado atual, mas pode influenciar a conduta se o status desta gestação estiver desconhecido.

Streptococcus B positivo: o que fazer?

O primeiro passo é não interpretar o resultado como uma infecção grave.

Em seguida:

1. Registrar o resultado no cartão ou documentação do pré-natal.

2. Informar o profissional responsável pelo acompanhamento.

3. Certificar-se de que o resultado estará disponível para a maternidade.

4. Informar alergias a antibióticos, especialmente penicilinas.

5. No trabalho de parto, seguir a estratégia de profilaxia indicada pela equipe.

O resultado positivo, sozinho, não significa necessidade de internação imediata, cesariana ou que o bebê já esteja infectado.

Conclusão

O Streptococcus do grupo B na gravidez é pesquisado principalmente no final da gestação, porque a colonização materna próxima ao nascimento é o que possui maior importância para estimar o risco de exposição do recém-nascido.

A coleta é simples e utiliza swab vaginal e retal.

E o principal conceito que precisa ficar claro é:

Streptococcus B positivo geralmente significa colonização, e não infecção materna.

O resultado também:

Não significa que o bebê esteja infectado

E

Não é indicação de cesariana.

Quando a cultura é positiva, seu principal objetivo é orientar a equipe para a realização de profilaxia antibiótica durante o trabalho de parto, quando indicada.

Além disso, a janela de coleta pode variar conforme o protocolo. No Brasil, encontramos frequentemente 35–37 semanas, enquanto ACOG e CDC utilizam atualmente aproximadamente 36–37 semanas.

Na minha leitura técnico-laboratorial, também considero essencial diferenciar quatro informações que muitas vezes aparecem misturadas:

colonização vaginal-retal, bacteriúria, infecção materna e doença neonatal são situações diferentes.

Uma cultura vaginal-retal positiva identifica colonização.

Uma urocultura positiva possui outro significado microbiológico.

E nenhum desses resultados isoladamente confirma que ocorreu infecção no recém-nascido.

Por isso, a utilidade do exame depende não apenas de coletar corretamente, mas também de fazer com que o resultado acompanhe a gestante até o parto, quando ele realmente orientará a conduta preventiva.

Dúvidas frequentes sobre Streptococcus do grupo B na gravidez

O rastreamento costuma ser realizado no final da gravidez. Protocolos brasileiros frequentemente utilizam aproximadamente 35 a 37 semanas, enquanto algumas recomendações internacionais utilizam uma janela próxima de 36 a 37 semanas.

A data exata deve seguir o protocolo utilizado no pré-natal. Veja também os exames do terceiro trimestre da gravidez .

A coleta é normalmente realizada com um swab estéril na vagina e na região retal.

O material é colocado em meio apropriado e encaminhado ao laboratório para pesquisa do Streptococcus agalactiae. Para o rastreamento habitual, não é necessário coletar material do colo uterino.

Não. O exame utiliza material obtido por swab vaginal e retal, portanto não exige jejum alimentar.

O laboratório pode fornecer orientações específicas sobre preparo antes da coleta, que devem ser seguidas conforme o serviço responsável.

Na maioria das vezes, não. Uma cultura vaginal-retal positiva geralmente indica colonização pelo Streptococcus do grupo B.

Isso significa que a bactéria foi detectada naquele momento, mas não confirma automaticamente uma infecção vaginal ou outra doença materna.

Não. Um resultado positivo indica colonização materna e não confirma que ocorreu transmissão ou infecção no bebê.

O objetivo de identificar a bactéria antes do parto é justamente permitir medidas que reduzam o risco de doença neonatal precoce.

Quando existe apenas colonização vaginal ou retal, a principal estratégia costuma ser a profilaxia antibiótica durante o trabalho de parto, quando indicada.

A conduta é diferente quando existe uma infecção materna, como uma infecção urinária por Streptococcus agalactiae.

Não. Um resultado positivo para Streptococcus do grupo B, isoladamente, não determina a via de parto.

Gestantes colonizadas podem ter parto vaginal e receber profilaxia antibiótica intraparto quando indicada. A decisão sobre cesariana depende de critérios obstétricos.

Não. O Streptococcus agalactiae pode fazer parte da microbiota gastrointestinal e genital de pessoas saudáveis.

Um resultado positivo não deve ser utilizado para concluir que ocorreu transmissão sexual.

Um resultado negativo significa que o Streptococcus do grupo B não foi detectado na amostra analisada naquele momento.

Isso não significa que a pessoa nunca tenha sido colonizada, pois a presença da bactéria pode variar ao longo do tempo.

Não exatamente. O swab vaginal-retal pesquisa colonização genital e gastrointestinal, enquanto a urocultura identifica a bactéria na urina.

A presença de GBS na urina durante a gravidez possui importância específica para o acompanhamento e para a conduta no parto.

A urocultura também não deve ser confundida com o exame de urina tipo 1 (EAS) , que avalia outros parâmetros da amostra.

Em geral, o estado de colonização deve ser avaliado em cada gravidez quando o protocolo adota rastreamento.

Uma cultura positiva ou negativa em uma gestação anterior não determina automaticamente o resultado da gravidez atual, porque a colonização pode mudar.

A cultura é realizada próximo ao parto porque a colonização pode mudar ao longo do tempo.

Alguns protocolos consideram uma cultura realizada nas semanas anteriores ao parto como representativa por aproximadamente cinco semanas.

Por isso, coletas realizadas muito cedo podem precisar ser repetidas em determinadas situações.

Quando o status para GBS está desconhecido, a equipe obstétrica pode considerar idade gestacional, ruptura das membranas, febre durante o parto, histórico obstétrico e outros fatores de risco para definir a conduta.

Portanto, a ausência do resultado não significa que não exista uma estratégia preventiva disponível.

Sim. Existem alternativas, mas a escolha depende do tipo e da gravidade da reação alérgica.

Em determinadas situações, o laboratório pode precisar avaliar a sensibilidade do isolado a antimicrobianos específicos. Por isso, a informação sobre alergia relevante deve ser comunicada à equipe responsável.

Nos protocolos que adotam rastreamento universal, a avaliação é realizada em cada gravidez.

Isso ocorre porque a colonização pode mudar de uma gestação para outra.

Existem situações específicas em que a profilaxia no parto já pode estar indicada independentemente de uma nova cultura, como determinados antecedentes ou identificação do GBS na urina durante a gravidez atual.

Para conhecer os demais exames dessa fase, consulte também o guia de exames do pré-natal .

  1. WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). WHO recommendation on screening of pregnant women for intrapartum antibiotic prophylaxis for the prevention of early onset Group B streptococcus disease in newborns. Geneva: World Health Organization, 2024. ISBN 978-92-4-009912-8. Disponível em: https://www.who.int/publications/i/item/9789240099128 . Acesso em: 26 ago. 2026.
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  3. CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION (CDC). Screening for Group B Strep Bacteria. Atlanta: CDC, atualização em 1 maio 2025. Disponível em: https://www.cdc.gov/group-b-strep/testing/index.html . Acesso em: 26 ago. 2026.
  4. CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION (CDC). Clinical Overview of Group B Strep Disease. Atlanta: CDC, atualização em 1 maio 2025. Disponível em: https://www.cdc.gov/group-b-strep/hcp/clinical-overview/index.html . Acesso em: 26 ago. 2026.
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