O aumento da busca por medicamentos como Mounjaro e Ozempic no período pós-parto não é apenas uma tendência das redes sociais — ele já aparece na prática clínica e começa a preocupar especialistas. Pesquisas recentes e relatos médicos indicam que o uso desses fármacos fora das indicações aprovadas pode trazer riscos específicos para mulheres que acabaram de engravidar, especialmente durante a amamentação.
A popularização desses medicamentos, impulsionada por resultados rápidos de perda de peso, tem levado muitas mulheres a procurar essas terapias logo após o parto, mesmo sem acompanhamento médico adequado.
O que são Mounjaro e Ozempic — e por que eles emagrecem
Mounjaro (tirzepatida) e Ozempic (semaglutida) pertencem à classe dos agonistas do receptor GLP-1, hormônios que atuam no controle do apetite, do esvaziamento gástrico e da glicemia.
Esses medicamentos foram desenvolvidos para tratar:
Distúrbios metabólicos associados à resistência à insulina
A perda de peso ocorre como um efeito secundário, devido à redução da fome e ao aumento da saciedade — o que explica sua crescente procura fora do contexto do diabetes.
O que as pesquisas têm evidenciado até agora
Estudos clínicos que avaliaram o uso de agonistas de GLP-1 evidenciaram:
- Redução significativa do peso corporal em pacientes com obesidade
- Alterações gastrointestinais frequentes, como náuseas, vômitos e diarreia
- Impacto no metabolismo energético, com redução da ingestão calórica
No entanto, os próprios pesquisadores reforçam um ponto essencial:
Esses estudos NÃO incluíram mulheres no pós-parto ou lactantes.
Ou seja, não há evidência científica sólida que comprove a segurança desses medicamentos nesse período específico da vida da mulher.
O que foi evidenciado nos alertas médicos recentes
Segundo médicos ouvidos em reportagens e sociedades médicas:
- Há aumento na procura por GLP-1 logo após o parto
- Muitas mulheres chegam aos consultórios após iniciarem o uso por conta própria
- O objetivo principal costuma ser emagrecimento rápido
Os especialistas alertam que o pós-parto é marcado por:
Oscilações hormonais intensas
Recuperação de tecidos e órgãos
Maior demanda nutricional, especialmente na amamentação
Interferir nesse equilíbrio com medicamentos que reduzem o apetite pode gerar deficiências nutricionais, fadiga excessiva e até impacto na produção de leite.
Riscos potenciais no pós-parto apontados por especialistas
Embora ainda não existam estudos específicos, médicos destacam riscos teóricos e observacionais:
- Déficit nutricional em um período de alta demanda do organismo
- Desidratação, devido a efeitos gastrointestinais
- Perda de massa muscular se o emagrecimento for rápido
- Falta de dados sobre excreção no leite materno
Por isso, sociedades médicas reforçam que o uso desses medicamentos no pós-parto não deve ser feito sem avaliação individualizada.
O papel das redes sociais no aumento da procura
Especialistas também chamam atenção para o impacto das redes sociais na decisão das pacientes. Vídeos com “antes e depois” e relatos de emagrecimento acelerado:
- Criam expectativas irreais
- Ignoram riscos e contraindicações
- Pouco mencionam acompanhamento médico
Isso pode levar ao uso inadequado de medicamentos que, embora eficazes em alguns contextos, não são isentos de riscos.
O que os médicos recomendam no pós-parto
As orientações mais frequentes incluem:
✔ Avaliação clínica antes de qualquer intervenção para emagrecimento
✔ Respeitar o tempo fisiológico de recuperação do corpo
✔ Priorizar alimentação equilibrada e acompanhamento nutricional
✔ Evitar medicamentos sem indicação clara e estudos específicos
Endocrinologistas reforçam que não existe solução rápida e segura universal no pós-parto — cada caso deve ser avaliado individualmente.
O que os dados ainda não permitem concluir
É importante esclarecer:
✔ Esses medicamentos não estão proibidos para sempre após a gravidez
✔ Não há comprovação de danos diretos, mas falta evidência de segurança
✔ O alerta é preventivo, não alarmista
A principal recomendação é não iniciar o uso sem orientação médica, especialmente durante a amamentação.
Conclusão
O crescimento da busca por Mounjaro e Ozempic no pós-parto revela uma combinação de pressão estética, influência digital e lacunas de informação. Embora estudos comprovem a eficácia desses medicamentos para controle metabólico e perda de peso, a ciência ainda não confirmou sua segurança nesse período específico.
Até que pesquisas direcionadas sejam realizadas, médicos defendem cautela, acompanhamento profissional e foco na saúde materna como prioridade absoluta.
Este conteúdo foi elaborado com base em informações publicadas pela CNN Brasil e contextualizado com conhecimentos atuais da área de saúde e pesquisa biomédica.

Soraia Antunes é uma experiente jornalista e comunicadora, formada em Comunicação desde 2011, pela Universidade de São Paulo (USP), Soraia iniciou sua trajetória profissional em redações locais, onde rapidamente se destacou pela sua habilidade em transmitir histórias complexas de maneira clara e envolvente. Ao longo dos anos, ela acumulou experiência em diversos veículos de comunicação respeitados, incluindo jornais, revistas e emissoras de televisão.

