Pesquisadores identificaram que o vírus responsável pelo resfriado comum pode permanecer “oculto” nas amígdalas de pessoas completamente assintomáticas. A descoberta desafia a visão tradicional de que o organismo elimina totalmente o vírus logo após o desaparecimento dos sintomas e abre novas discussões sobre persistência viral, imunidade e reinfecções respiratórias.
A descoberta ajuda a explicar por que infecções respiratórias leves são tão frequentes e levanta novas hipóteses sobre reservatórios silenciosos de vírus no corpo humano.
O que são as amígdalas e por que elas importam
As amígdalas fazem parte do tecido linfoide associado às mucosas (MALT), um conjunto de estruturas essenciais para a defesa do organismo contra microrganismos inalados ou ingeridos.
Entre suas principais funções estão:
Capturar vírus e bactérias que entram pelas vias aéreas
Estimular respostas imunológicas locais
Produzir células de defesa e anticorpos
Justamente por estarem em contato direto com o ambiente externo, as amígdalas podem reter microrganismos, mesmo quando não há sinais evidentes de infecção.
O resfriado comum
O resfriado está entre as infecções mais frequentes do mundo e representa um grande impacto coletivo na saúde pública:
Adultos têm, em média, 2 a 4 episódios por ano
Crianças podem apresentar de 6 a 8 infecções anuais
Cerca de 50% a 60% dos casos são causados por rinovírus
A transmissão ocorre por gotículas respiratórias, contato direto e superfícies contaminadas
Esses números ajudam a explicar por que pequenas descobertas sobre o comportamento do vírus podem ter grandes implicações epidemiológicas.
O que o estudo encontrou
Ao analisar amostras de tecido das amígdalas de voluntários sem sintomas respiratórios, os pesquisadores identificaram material genético do vírus do resfriado, mesmo na ausência de doença ativa.
Isso indica que o vírus pode:
Permanecer em estado latente ou de baixa replicação
Evitar a eliminação completa pelo sistema imunológico
Persistir no tecido linfático sem causar sintomas clínicos
Esse comportamento já havia sido sugerido em estudos anteriores com vírus respiratórios, mas agora ganha evidência direta em tecido humano.
Isso significa que pessoas sem sintomas transmitem o vírus?
Ainda não.
Os próprios pesquisadores reforçam que a presença do vírus nas amígdalas não indica, automaticamente, transmissão ativa. Não há comprovação de que esse material viral esteja sendo liberado em quantidade suficiente para infectar outras pessoas.
No entanto, o achado pode influenciar a forma como entendemos:
A duração real das infecções respiratórias
A resposta imunológica a exposições repetidas
A ocorrência de reinfecções frequentes ao longo da vida
Possíveis implicações científicas e clínicas
Embora os dados ainda sejam preliminares, o estudo levanta questões importantes:
Reservatórios silenciosos
Algumas estruturas do corpo podem funcionar como locais temporários de permanência viral, mesmo após a fase aguda da infecção.
Memória imunológica
A persistência viral pode interferir na forma como o sistema imunológico “lembra” infecções anteriores e responde a novos contatos com o mesmo vírus.
Novas linhas de pesquisa
O achado reforça a necessidade de estudar infecções respiratórias leves, que muitas vezes são subestimadas, mas têm enorme impacto populacional.
O que muda para a população em geral
É importante esclarecer alguns pontos para evitar interpretações equivocadas:
- A maioria das pessoas elimina o vírus do resfriado e se recupera totalmente em poucos dias
- A presença de material viral não significa doença ativa
- Não há indicação de tratamento ou intervenção específica para pessoas assintomáticas
- Medidas básicas de prevenção continuam sendo as mais eficazes
Lavar as mãos, evitar contato próximo com pessoas doentes e manter ambientes ventilados seguem sendo estratégias fundamentais.
Por que essa descoberta chama tanta atenção?
Porque ela muda a forma como a ciência enxerga infecções consideradas “simples”. Mesmo vírus associados a quadros leves podem ter comportamentos complexos dentro do organismo — e compreender esses mecanismos é essencial para avançar em prevenção, imunologia e saúde pública.
Este conteúdo foi elaborado com base em informações publicadas pela CNN Brasil e contextualizado com conhecimentos atuais da área de saúde e pesquisa biomédica.

Soraia Antunes é uma experiente jornalista e comunicadora, formada em Comunicação desde 2011, pela Universidade de São Paulo (USP), Soraia iniciou sua trajetória profissional em redações locais, onde rapidamente se destacou pela sua habilidade em transmitir histórias complexas de maneira clara e envolvente. Ao longo dos anos, ela acumulou experiência em diversos veículos de comunicação respeitados, incluindo jornais, revistas e emissoras de televisão.

