Aminograma Plasmático: O que é e para que serve este exame?

Bancada de um laboratório com alguns tubos de tampa roxa na bancada, dois microscópios e alguns reagentes.

O aminograma plasmático é um exame laboratorial avançado que avalia detalhadamente, os níveis de aminoácidos livres no sangue. Esses compostos são fundamentais para o funcionamento do organismo, ao atuarem como os “tijolos” que formam as proteínas, essenciais para tecidos, hormônios, enzimas e neurotransmissores.

Diferente de exames comuns, o aminograma não analisa apenas um marcador isolado. Ele oferece um retrato completo do metabolismo proteico, permitindo identificar desequilíbrios nutricionais, alterações metabólicas, erros inatos do metabolismo e até disfunções intestinais e neurológicas.

Por isso, trata-se de um exame que conecta nutrição, metabolismo, genética e clínica, sendo útil tanto para pacientes quanto para profissionais de saúde.

O que são aminoácidos e por que eles são tão importantes?

Os aminoácidos são moléculas que compõem as proteínas do corpo humano. Eles participam diretamente de processos como:

  • Formação e recuperação muscular

  • Produção de neurotransmissores (humor, foco e memória)

  • Funcionamento do sistema imunológico

  • Regulação hormonal

  • Produção de energia

Costumo sempre falar, em uma forma simples de entender é imaginar que o corpo seja uma casa, as proteínas são as paredes e os aminoácidos são os tijolos. Se faltam tijolos ou se eles estão em desequilíbrio, a estrutura não funciona bem.

O que é o Aminograma Plasmático?

O aminograma plasmático é um exame laboratorial especializado que realiza a quantificação precisa dos aminoácidos livres circulantes no plasma sanguíneo, incluindo aminoácidos essenciais, não essenciais e condicionalmente essenciais. Esses compostos refletem diretamente o estado do metabolismo proteico, da nutrição, da absorção intestinal e de diversas vias metabólicas fundamentais para o organismo.

Diferentemente de exames convencionais, o aminograma não avalia apenas a ingestão de proteínas, mas sim como o corpo está utilizando esses aminoácidos, permitindo identificar desequilíbrios metabólicos sutis, mesmo na ausência de sinais clínicos evidentes.

A análise é realizada por métodos laboratoriais de alta complexidade e extrema precisão, considerados referência internacional:

  • Cromatografia de troca iônica, que separa os aminoácidos com base em suas cargas elétricas, permitindo uma identificação individual e quantitativa detalhada.

  • Espectrometria de massa (MS/MS), técnica altamente sensível que detecta e quantifica aminoácidos em baixas concentrações, sendo amplamente utilizada na triagem neonatal e na investigação de erros inatos do metabolismo.

Essas metodologias são classificadas como padrão-ouro na análise metabólica, ao oferecerem alta sensibilidade, especificidade e reprodutibilidade, reduzindo interferências analíticas e garantindo maior confiabilidade clínica dos resultados.

Para que serve o exame de Aminograma Plasmático?

O aminograma plasmático vai além de mostrar números em um laudo. Ele ajuda a compreender como o seu organismo está utilizando os nutrientes, especialmente as proteínas, e se há desequilíbrios que podem impactar diretamente sua saúde e qualidade de vida.

Com esse exame, é possível responder a perguntas fundamentais, como:

  • Minha alimentação está realmente fornecendo os aminoácidos que meu corpo precisa, ou existe alguma carência mesmo com uma dieta aparentemente adequada?

  • Meu organismo está conseguindo digerir e absorver corretamente as proteínas, ou há sinais indiretos de má absorção intestinal?

  • Existe alguma deficiência metabólica que possa explicar sintomas como cansaço frequente, fraqueza muscular, dificuldade de concentração ou baixa disposição mental?

  • A suplementação que estou utilizando é realmente necessária, ou estou suplementando de forma empírica, sem dados laboratoriais que justifiquem essa conduta?

Além disso, o exame é uma ferramenta importante na investigação clínica de sintomas persistentes, especialmente quando exames básicos não esclarecem a causa, como:

  • Fadiga crônica ou sensação constante de esgotamento, mesmo após descanso adequado

  • Dificuldade de ganho de massa muscular ou recuperação lenta após exercícios físicos

  • Alterações de humor, memória e foco, relacionadas ao metabolismo de neurotransmissores

  • Distúrbios gastrointestinais crônicos, como inchaço, desconforto abdominal e irregularidade intestinal, que podem afetar a absorção de nutrientes

Dessa forma, o aminograma plasmático contribui para uma avaliação metabólica mais completa e personalizada, permitindo decisões clínicas mais precisas e evitando abordagens genéricas ou baseadas apenas em suposições.

Principais indicações clínicas do Aminograma Plasmático

Avaliação nutricional avançada

Permite identificar deficiências proteicas mesmo quando exames convencionais estão normais.

Investigação de erros inatos do metabolismo

Essencial no diagnóstico e monitoramento de doenças genéticas que afetam o metabolismo dos aminoácidos.

Suplementação personalizada

Evita suplementações desnecessárias ou inadequadas, ajustando doses com base em dados objetivos.

Saúde cerebral e mental

Aminoácidos como triptofano e tirosina são precursores diretos de neurotransmissores.

Desempenho físico e recuperação muscular

Muito utilizado em atletas e pacientes em reabilitação.

Valores de referência do Aminograma Plasmático

Importante: os valores de referência podem variar conforme o método e o laboratório. A interpretação deve sempre ser feita por um profissional de saúde.

AminoácidoValores de Referência por Faixa Etária (µmol/L)
Alanina
  • <1 mês: 83–447
  • 1–23 meses: 119–523
  • 2–17 anos: 157–481
  • ≥18 anos: 200–483
Glicina
  • <1 mês: 133–409
  • 1–23 meses: 103–386
  • 2–17 anos: 138–349
  • ≥18 anos: 122–322
Valina
  • <1 mês: 57–250
  • 1–23 meses: 84–354
  • 2–17 anos: 130–307
  • ≥18 anos: 132–313
Leucina
  • <1 mês: 23–172
  • 1–23 meses: 43–181
  • 2–17 anos: 65–179
  • ≥18 anos: 73–182
Isoleucina
  • <1 mês: 12–92
  • 1–23 meses: 10–109
  • 2–17 anos: 33–97
  • ≥18 anos: 34–98
Aloisoleucina
  • Todas as idades: <1
Treonina
  • <1 mês: 56–392
  • 1–23 meses: 40–428
  • 2–17 anos: 59–195
  • ≥18 anos: 67–198
Serina
  • <1 mês: 87–241
  • 1–23 meses: 83–212
  • 2–17 anos: 85–185
  • ≥18 anos: 65–138
Prolina
  • <1 mês: 87–375
  • 1–23 meses: 104–348
  • 2–17 anos: 99–351
  • ≥18 anos: 104–383
Asparagina
  • <1 mês: 12–70
  • 1–23 meses: 20–77
  • 2–17 anos: 23–70
  • ≥18 anos: 31–64
Ácido Aspártico
  • <1 mês: 2–20
  • 1–23 meses: 2–14
  • 2–17 anos: 1–8
  • ≥18 anos: 1–4
Metionina
  • <1 mês: 13–45
  • 1–23 meses: 12–50
  • 2–17 anos: 14–37
  • ≥18 anos: 16–34
Hidroxiprolina
  • <1 mês: 13–72
  • 1–23 meses: 7–63
  • 2–17 anos: 6–32 
  • ≥18 anos: 4–27
Ácido Glutâmico
  • <1 mês: 51–277
  • 1–23 meses: 32–185
  • 2–17 anos: 9–109 
  • ≥18 anos: 10–97
Fenilalanina
  • <1 mês: 30–79
  • 1–23 meses: 31–92
  • 2–17 anos: 38–86
  • ≥18 anos: 40–74
Ornitina
  • <1 mês: 29–168
  • 1–23 meses: 19–139
  • 2–17 anos: 33–103
  • ≥18 anos: 27–83
Glutamina
  • <1 mês: 240–1194
  • 1–23 meses: 303–1459
  • 2–17 anos: 405–923
  • ≥18 anos: 428–747
Lisina
  • <1 mês: 66–226
  • 1–23 meses: 70–258
  • 2–17 anos: 98–231
  • ≥18 anos: 119–233
Histidina
  • <1 mês: 40–143
  • 1–23 meses: 42–125
  • 2–17 anos: 54–113
  • ≥18 anos: 60–109
Taurina
  • <1 mês: 29–161
  • 1–23 meses: 26–130
  • 2–17 anos: 32–114
  • ≥18 anos: 31–102
Tirosina
  • <1 mês: 33–160
  • 1–23 meses: 24–125
  • 2–17 anos: 31–108
  • ≥18 anos: 38–96
Triptofano
  • <1 mês: 17–85
  • 1–23 meses: 16–92
  • 2–17 anos: 30–94
  • ≥18 anos: 40–91
Arginina
  • <1 mês: 14–135
  • 1–23 meses: 30–147
  • 2–17 anos: 38–122
  • ≥18 anos: 43–407
Citrulina
  • <1 mês: 3–35
  • 1–23 meses: 4–50
  • 2–17 anos: 9–52
  • ≥18 anos: 16–51

Como interpretar o Aminograma Plasmático corretamente?

Níveis isolados fora da referência indicam doença?

Nem sempre. Um resultado fora do valor de referência não indica, isoladamente, a presença de uma doença. O aminograma plasmático reflete um retrato metabólico momentâneo, que precisa ser interpretado integradamente e contextualizada.

Para uma análise correta, é fundamental correlacionar os achados laboratoriais com:

  • História clínica completa, incluindo sintomas, uso de medicamentos, nível de atividade física e condições de saúde pré-existentes.

  • Alimentação recente, já que o consumo de proteínas, suplementos ou dietas restritivas pode influenciar temporariamente os níveis de aminoácidos.

  • Estado inflamatório do organismo, com atenção especial às inflamações subclínicas, que podem alterar o metabolismo proteico mesmo na ausência de sinais evidentes de inflamação aguda.

  • Função hepática e renal, pois fígado e rins desempenham papel central no metabolismo e na excreção de aminoácidos. Alterações em exames como ureia e creatinina, bem como em enzimas hepáticas (TGO/AST e TGP/ALT), podem impactar diretamente os resultados do aminograma.

Por isso, a interpretação do exame deve sempre ser feita por um profissional de saúde, considerando o conjunto de dados clínicos e laboratoriais, evitando conclusões precipitadas baseadas em valores isolados.

Padrões são mais importantes que valores isolados

Para o profissional, o mais relevante é observar relações entre aminoácidos, como:

  • Fenilalanina/Tirosina

  • Triptofano/Aminoácidos neutros

  • BCAAs e resistência à insulina

Aminograma e Erros Inatos do Metabolismo

O exame é essencial na triagem e acompanhamento de aminoacidopatias, como:

Nessas condições, pequenas elevações podem ter impacto clínico significativo, especialmente em recém-nascidos e crianças.

Conclusão

O aminograma plasmático é um exame de alto valor clínico, capaz de integrar nutrição, metabolismo, genética e desempenho físico. Quando bem interpretado, ele permite decisões mais precisas, evita suplementações desnecessárias e contribui para um cuidado verdadeiramente personalizado.

Perguntas Frequentes

Sim. O uso recente de suplementos de aminoácidos, proteínas, BCAA ou fórmulas nutricionais pode alterar temporariamente os níveis plasmáticos, por isso é importante informar ao profissional de saúde antes da coleta.

Não. Trata-se de um exame especializado, indicado quando há suspeita de distúrbios metabólicos, nutricionais, genéticos ou quando exames convencionais não explicam os sintomas apresentados.

Em muitos casos, sim. O padrão de aminoácidos no plasma pode sugerir se o problema está relacionado à ingestão inadequada, má absorção intestinal ou alterações no metabolismo hepático.

Sim. Em situações específicas, o exame pode auxiliar na avaliação do estado nutricional materno e no acompanhamento de condições metabólicas, sempre com orientação médica.

Não. Os exames são complementares. O aminograma plasmático avalia aminoácidos circulantes, enquanto o urinário reflete padrões de excreção e perdas metabólicas.

Sim. Infecções, processos inflamatórios e doenças agudas podem modificar o metabolismo proteico, alterando temporariamente o perfil de aminoácidos no plasma.

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