Exame Molecular de DNA-HPV: O que é, Como é Feito e Para que Serve?

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O Exame Molecular de DNA-HPV detecta de forma avançada infecções pelo Papilomavírus Humano (HPV), especialmente os tipos ligados ao câncer de colo do útero. Diferente do exame tradicional de Papanicolau, o teste molecular identifica a presença do vírus a nível genético, oferecendo maior precisão e confiabilidade na detecção precoce de lesões de alto risco.

Neste artigo, detalho tudo o que você precisa saber sobre o teste de DNA-HPV, incluindo quando fazer, como é feito, sua relação com o Papanicolau, tipos de HPV de alto risco, prevenção e tratamento.

O que é HPV e por que é importante detectar

O HPV, ou Papilomavírus Humano, é uma infecção sexualmente transmissível comum em homens e mulheres. Embora muitas vezes seja assintomático, alguns tipos são oncogênicos, ou seja, podem causar lesões intraepiteliais, lesão de alto grau (NIC 2 e NIC 3) e até evoluir para câncer de colo do útero.

Identificar precocemente o HPV de alto risco permite que o médico acompanhe e intervenha antes que as alterações celulares se tornem graves. O Exame HPV DNA atua exatamente nesse ponto, detectando o material genético do vírus mesmo antes de surgirem sintomas.

Tipos de exames HPV

Existem diferentes métodos para detecção do HPV, veja a seguir:

Teste Molecular HPV

O teste molecular HPV analisa a presença do vírus a nível de DNA, identificando os tipos mais perigosos para a saúde feminina. Ele é mais sensível que o Papanicolau para detectar infecções persistentes.

Genotipagem HPV

A genotipagem HPV revela exatamente quais tipos de vírus estão presentes, diferenciando os de alto risco dos de baixo risco. Essa informação é crucial para determinar o acompanhamento clínico adequado.

Exame HPV DNA e Coleta HPV

A coleta HPV é simples e rápida, geralmente feita durante o exame ginecológico, utilizando um swab (cotonete) ou escova cervical. O material coletado é enviado para análise molecular.

Outros marcadores:

Embora o HPV em si não circule no sangue, em casos de infecção persistente ou lesões graves (como NIC 2, NIC 3 ou câncer de colo do útero), podem ocorrer respostas inflamatórias ou alterações secundárias que se refletem em alguns exames de sangue. Aqui está um detalhamento:

1. Proteína C Reativa (PCR)

  • A PCR é um marcador de inflamação no corpo.

  • Em infecções HPV leves, geralmente não há aumento da PCR, porque a infecção é localizada.

  • Em lesões de alto grau ou câncer cervical, pode haver inflamação sistêmica suficiente para elevar ligeiramente a PCR.

  • Importante: aumento de PCR não é específico para HPV; indica somente inflamação.

2. Hemograma

  • O hemograma, normalmente, permanece nos valores de referência em infecções HPV simples.

  • Em casos avançados com inflamação ou neoplasia, pode ocorrer:

    • Leucocitose leve (aumento de glóbulos brancos)

    • Alterações discretas na contagem de plaquetas em casos raros de câncer avançado

3. Marcadores Tumorais

  • Para lesões malignas associadas ao HPV, alguns médicos podem solicitar CA-125, SCC (antígeno de células escamosas) ou CEA dependendo da suspeita clínica.

  • Estes marcadores não detectam o HPV, mas ajudam a monitorar evolução de lesões graves.

4. Exames de função hepática ou renal

  • Não sofrem alterações diretas pelo HPV.

  • Podem ser monitorados com os exames de ureia e creatinina, caso haja tratamento que envolva medicação ou cirurgia.

Diferença entre Exame HPV e Papanicolau

Embora ambos sejam importantes para rastreamento HPV e prevenção do câncer de colo do útero, eles têm diferenças essenciais:

CaracterísticaPapanicolau vs. Exame Molecular de DNA-HPV
Objetivo

Papanicolau: Detectar alterações celulares

DNA-HPV: Detectar presença do vírus

Sensibilidade

Papanicolau: Moderada

• DNA-HPV: Alta, principalmente para HPV de alto risco

Indicação

Papanicolau: Mulheres a partir de 25 anos

• DNA-HPV: Mulheres a partir de 30 anos, especialmente com histórico de alterações cervicais

Frequência

Papanicolau: A cada 3 anos

• DNA-HPV: Pode ser combinado com Papanicolau para maior segurança

 

O exame de DNA-HPV não substitui totalmente o Papanicolau, mas pode ser usado em conjunto para aumentar a precisão do rastreamento.

O exame será implementado de forma gradual no SUS a partir de 2025, permitindo intervalos maiores entre coletas e aumentando a eficácia da prevenção.

Quando fazer o exame HPV

O teste de DNA-HPV é recomendado principalmente para:

  • Mulheres acima de 30 anos como rastreamento de rotina

  • Pacientes com alterações detectadas no Papanicolau

  • Histórico de lesão de alto grau HPV ou NIC 2 e NIC 3

  • Indivíduos com HPV de alto risco na família ou histórico pessoal

O exame também pode ser realizado em homens em casos específicos, embora o rastreamento em homens seja menos frequente.

Sintomas do HPV

Muitas vezes, o HPV é assintomático, mas alguns sinais podem surgir:

  • Verrugas genitais

  • Alterações na pele ou mucosas

  • Desconforto ou coceira

  • Em casos graves, alterações detectadas apenas em exames laboratoriais

É importante lembrar que o HPV em homens também existe e pode ser transmitido sexualmente, mesmo sem sintomas visíveis.

Como é feito o exame molecular de DNA-HPV

O procedimento é rápido, seguro e indolor:

  1. Coleta do material: O médico realiza o procedimento rapidamente, garantindo segurança e sem dor.

  2. Envio para laboratório: O material é preservado e encaminhado para análise molecular.

  3. Análise genética: Técnicas de PCR detectam o DNA do HPV, identificando tipos de alto risco.

  4. Resultado: Geralmente disponível em poucos dias, indicando se há presença de HPV e, se houver, quais genótipos.

Tabela: Valores de Referência do Exame Molecular de DNA-HPV

ResultadoValor de Referência / Interpretação
HPV de alto riscoNão Detectado (ausência do alvo) – indica que nenhum HPV de alto risco foi encontrado
HPV de baixo riscoNão Detectado (ausência do alvo) – indica que nenhum HPV de baixo risco foi encontrado
Presença de HPV (qualquer tipo)Não Detectado (ausência do alvo) – qualquer detecção significa infecção ativa pelo vírus

Preço e disponibilidade do exame HPV

O preço do exame HPV pode variar conforme laboratório e região. Bastante clínicas privadas oferecem o teste, e em alguns locais, ele já está disponível pelo SUS, especialmente em programas de rastreamento para prevenção do câncer de colo do útero.

  • Preço médio privado: R$ 150 a R$ 300

  • Disponibilidade SUS: Em unidades de saúde conforme protocolos regionais

O exame é acessível e altamente recomendado para mulheres acima de 30 anos ou com histórico de alterações cervicais.

Prevenção do câncer de colo do útero

Além do rastreamento regular, outras medidas de prevenção incluem:

  • Vacinação contra HPV

  • Uso de preservativos

  • Relações sexuais seguras

  • Monitoramento periódico com Papanicolau e teste de DNA-HPV

Detectar o HPV oncogênico ajuda precocemente a prevenir a progressão para lesões intraepiteliais ou câncer de colo do útero.

Tratamento HPV

Não existe cura para o vírus em si, mas as lesões causadas podem ser tratadas:

  • Remoção de verrugas ou lesões visíveis

  • Monitoramento clínico de alterações celulares

  • Procedimentos cirúrgicos em casos de lesão de alto grau

O tratamento é individualizado, e o acompanhamento médico contínuo é fundamental para evitar complicações.

Conclusão 

O Exame Molecular de DNA-HPV é uma técnica moderna e altamente sensível para identificar a presença do Papilomavírus Humano, especialmente os tipos de alto risco oncogênico associados ao câncer de colo do útero. Enquanto o Papanicolau detecta alterações celulares já instaladas, o teste de DNA-HPV identifica diretamente o material genético do vírus, oferecendo diagnóstico precoce e mais seguro.

No Brasil, o SUS passará a substituir gradualmente o Papanicolau pelo exame de DNA-HPV a partir de 2025, ampliando os intervalos entre coletas de três para cinco anos, devido à maior sensibilidade do teste. Essa mudança segue recomendações internacionais da OMS e da USPSTF, que já consideram o exame molecular o padrão-ouro no rastreamento de mulheres acima de 30 anos.

Em resumo, o teste de DNA-HPV representa um avanço na prevenção do câncer do colo do útero, garantindo diagnósticos mais precoces, intervalos maiores entre rastreamentos e maior eficácia na proteção da saúde da mulher.

 

Perguntas Frequentes

Sim. O exame pode ser realizado durante a gestação, mas a interpretação deve ser feita com cuidado e acompanhamento médico especializado.

O resultado geralmente fica disponível entre 5 e 10 dias úteis, dependendo do laboratório e do método utilizado.

Sim, especialmente em casos de resultado positivo para HPV de alto risco. O intervalo de repetição varia entre 3 e 5 anos, conforme diretrizes médicas e protocolos do SUS.

Sim, embora não seja de rotina. Homens podem realizar o exame em casos de risco elevado, presença de verrugas genitais ou histórico de parceiros com HPV.

Sim, como qualquer teste laboratorial. Fatores como coleta inadequada ou infecção transitória podem influenciar o resultado, sendo necessária a interpretação médica.

  1. NICE. Diabetes in pregnancy: management from preconception to the postnatal period. NICE guideline NG3. 2015 (atualizado em 2020). Disponível em: https://www.nice.org.uk/guidance/ng3. Acesso em: 29 ago. 2025.
  2. World Health Organization (WHO). Human papillomavirus (HPV) and cervical cancer. Geneva: WHO; 2021. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/human-papillomavirus-(hpv)-and-cervical-cancer. Acesso em: 29 ago. 2025.
  3. Clifford GM, et al. Human papillomavirus types in invasive cervical cancer worldwide: a meta-analysis. Br J Cancer. 2003;88:63–73.
  4. Brasil. Ministério da Saúde. Diretrizes de rastreamento do câncer de colo do útero. Brasília: Ministério da Saúde; 2020.
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